Comunicação

Respeito à diferença e incentivo à argumentação contribuem para o desenvolvimento dos filhos

Publicado em : 06/09/2019

 

Respeito à diferença e incentivo à argumentação contribuem para o desenvolvimento dos filhos

 

por Larissa Roso*

 

Discordar abre a possibilidade de se colocar no lugar do outro, de se abrir para uma ideia distinta, para algo que até então a pessoa não tinha pensado, de acordo com especialista.

Pense em uma definição de família. Se a sua concepção é a de um conjunto harmonioso de pessoas parecidas não só no físico, mas também no comportamento, no pensamento, nos valores e nas escolhas, é provável que você tenha de abrir espaço para uma reflexão. Claro que a convivência pacífica é almejada e saudável, imprescindível para o desenvolvimento dos filhos, mas as diferenças devem ser valorizadas e preservadas.

Em entrevista a Zero Hora publicada no caderno DOC da edição de 30 e 31 de março, o psicanalista e escritor Contardo Calligaris proferiu uma frase instigante: “(…) A família não foi criada para ser um lugar em que todos concordam com todos. Ao contrário, a família, como cada um sabe, foi inventada para ser um lugar em que todo mundo discorda. Por isso, ela eventualmente é interessante e educativa”.

A pedido de ZH, profissionais da área da psicologia comentaram a declaração e falaram a respeito de outros tópicos importantes sobre a criação dos filhos. Maria Isabel Wendling, psicóloga, terapeuta de família e professora do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), concorda com Calligaris, argumentando que é a partir das discordâncias que as pessoas começam a refletir mais. Se todos pensarem o tempo inteiro da mesma forma, não se acrescenta o novo, a dúvida, ocorrendo apenas a repetição indefinida dos mesmos padrões – estes, muitas vezes, disfuncionais. Discordar, destaca Maria Isabel, abre a possibilidade de se colocar no lugar do outro, de se abrir para uma ideia distinta, para algo que até então a pessoa não tinha pensado.

“(...) A família, na configuração que for, é a base socializadora de um indivíduo. É onde ele vai começar a aprender a dialogar. A família vai formando a identidade, o indivíduo vai se descobrindo através da fala do outro. É importante que existam essas discordâncias”, comenta a psicóloga.

(...) As diferenças podem surgir no que se refere ao dia a dia doméstico, ao noticiário da TV, aos planos para férias, ao modo de vestir, aos posicionamentos políticos – o pai pensa de uma maneira, a mãe de outra, e os filhos, bem mais jovens, seguem uma terceira linha. O enriquecimento advém do respeito e da possibilidade de aceitação dessas dessemelhanças, reforça Angela Helena Marin, doutora em Psicologia, pesquisadora e professora universitária.

 

Influência familiar e pensamento autônomo

Também é importante pensar nas aspirações dos adultos em relação aos filhos. Os pais veem a prole, diz Maria Isabel, como algo seu, uma projeção sua e do que eles gostariam de ser e não foram. Mas “filho é para o mundo”, como se repete tanto por aí. A psicóloga ressalta que é preciso entender que aquilo que foi ensinado para o filho ficou internalizado, e uma boa criação também incentiva a autonomia, o pensamento independente, a crítica e a chance de construir a própria vida.

”Os pais devem acreditar que o filho pode voar, seguir outro caminho que não necessariamente o que eles acham melhor. Isso mostra o quanto o filho consegue tomar essas decisões por conta dele, isso é maturidade. Tem filhos adultos dependendo dos pais para tomar decisões, e isso dificulta os relacionamentos”, diz.

(...) A escolha profissional, em diversos casos, ainda sofre forte influência familiar. Muitas vezes, o filho é induzido a suceder ao pai ou a mãe à frente da empresa ou do consultório, uma obrigação que poderá significar frustração no que diz respeito à realização pessoal.

”Esse direcionamento é, algumas vezes, desejado pelos filhos, em função da identificação e da valorização do papel social exercido. Não tomo como um problema os filhos optarem por assumir a mesma profissão dos pais, desde que sejam eles a fazer essa escolha”, pondera Angela.

O pensamento autônomo deve ser incentivado desde a infância. Nas mais corriqueiras situações cotidianas, é possível incentivar a criança a começar a pensar de maneira independente. Maria Isabel sugere que o pai e a mãe questionem os pequenos sobre o dia na escola, a interação com os amigos, as atividades realizadas, permitindo que eles expressem sua opinião. Quanto às emoções, da mesma forma: se há choro ou birra, o adulto deve acolher a criança e questioná-la sobre o que ela está sentindo.

Quando chega a adolescência, é natural que passem a ocorrer mais questionamentos por parte do adolescente. Ele está formando sua identidade e vai se opor a questões familiares como forma de se autoafirmar. É importante deixar as características identitárias dos filhos aflorarem, para que eles possam se encontrar.

(...) Quanto a temas polêmicos, ensina Maria Isabel, o pai e a mãe têm de se manifestar: “O pai pode ser amigo, mas primeiro ele é pai. É legal quando os pais são próximos dos filhos, mas primeiro eles são pai e mãe. Eles têm que se posicionar. Coloque-se à disposição para se posicionar, mostre os perigos, as consequências”.

 

*Disponível em:<https://www.semprefamilia.com.br/respeito-a-diferenca-e-incentivo-a-argumentacao-contribuem-para-o-desenvolvimento-dos-filhos/>. Acesso em: 4 set. 2019.

 


Como são os “novos valores” no mundo atual?

Como são os “novos valores” no mundo atual?

 11/10/2019

Faço uma singela reflexão sobre o quão importante é a educação para os sentimentos nos dias atuais. Na escola, ouvimos com frequência pessoas com dúvidas inerentes aos “novos valores” no mundo atual. Ao que se parece...


O poder transformador da Educação

O poder transformador da Educação

 11/10/2019

Em cada um de nós existe muito dos vários educadores que por nós passaram. Os aprendizados vão muito além dos conteúdos atribuídos a uma grade curricular. Os conhecimentos e vivências são de uma relevância que carregamos para a vida. Vão desde um olhar empático de um professor, a firmeza do outro, mas que fez a diferença ao acreditar no seu potencial quando nem às vezes você mesmo acreditava.


Aprender com os filhos é possível? Veja como acontece essa troca

Aprender com os filhos é possível? Veja como acontece essa troca

 04/10/2019

Os pais preocupam-se com a aprendizagem cognitiva, cultural e socioemocional dos seus filhos, buscando meios para favorecer o seu desenvolvimento. Contudo, em razão de suas diversas responsabilidades cotidianas e do foco que mantêm na família, os pais acabam não percebendo que podem aprender com os filhos.


De quem: crianças ou adultos? Faltam limites?

De quem: crianças ou adultos? Faltam limites?

 27/09/2019

  Faltam limites? De quem: crianças ou adultos?   por Marcelo Cunha Bueno*   Muitas famílias me procuram para conversar a respeito de limites e de uma tal de “agressividade” infantil. Trazem os mais diferentes relatos de espancamento, cusparadas, mordidas e [...]


Aprenda como trabalhar a autonomia na adolescência

Aprenda como trabalhar a autonomia na adolescência

 27/09/2019

A autonomia é uma das características mais importantes no desenvolvimento dos filhos. Ela representa a independência e responsabilidade que o indivíduo terá quando crescer e, por esse motivo, é necessário incentivá-la ao longo dos anos. Trabalhar a autonomia na adolescência pode ser a chave para um mundo com pessoas mais decididas e seguras de si.


Adolescência e Autonomia

Adolescência e Autonomia

 20/09/2019

Adolescência é tempo de amadurecer, e amadurecer significa ganhar experiência a respeito da própria vida e da vida em comum, dar duro para estabelecer planos e aprender a agir para alcançá-los, batalhar para entender que direitos e deveres caminham juntos e que toda escolha gera consequências.


Não é fácil andar à frente

Não é fácil andar à frente

 13/09/2019

O que me move na escrita deste texto hoje é a necessidade de tratar um pouco do desafio que é fazer algo de relevante em um contexto que não quer que isso aconteça. Quando os astros estão a nosso favor não é necessariamente fácil, imagine então se você incomoda por não ficar dentro da caixinha, sendo perfeitamente conivente com o modelo? Tenho reiteradamente tratado deste tema, e percebo que ele ainda me incomoda, e incomoda a muitos outros, ainda bem.


Brincar e aprender a vida

Brincar e aprender a vida

 06/09/2019

Vivemos atualmente um contexto social em que há excesso de informação circulando e, para toda e qualquer questão, existe receita, padrão, promessas de solução rápida e instantânea. Na criação de filhos(as) isso não é diferente!


Educar exige liberdade e autoridade, mas qual o limite e a diferença entre eles?

Educar exige liberdade e autoridade, mas qual o limite e a diferença entre eles?

 30/08/2019

Na construção da relação familiar, a autoridade nunca pode ser confundida com autoritarismo, assim como a liberdade em excesso também é nociva.


Você conhece a Escola Interamérica?

Você conhece a Escola Interamérica?

 23/08/2019

Que memórias você tem de sua infância na escola? De quais atividades você se recorda?