Comunicação

O período de adaptação e o desequilíbrio saudável

Publicado em : 15/03/2019

 

"O período de adaptação e o desequilíbrio saudável "              

         

 

por Tatiely P. Araújo*

 

Se há algo que consegue tirar o sono de famílias, estudantes e equipe escolar, certamente, são os primeiros dias de aula de cada ano. Como escutei dias atrás de um professor: “[...] não adianta, com 14 anos de docência eu ainda sinto um frio na barriga nas primeiras aulas com cada turma”. Esse momento, marcado por uma avalanche de ansiedade, medos, dúvidas atinge todos que estão envolvidos no processo educacional, o que nos faz pensar em como atravessar esse período da melhor forma possível, evitando assim que o sofrimento frente ao incerto continue nos invadindo.

Esse período, marcado muitas vezes por uma mudança drástica na rotina escolar para todos envolvidos no processo educacional, é especialmente sentido pelos estudantes que ingressam no 6º Ano. Além de estarem vivendo o início das angústias da adolescência, estão deixando de ser os maiores da Escola anterior para serem os menores da escola atual, se sentindo, assim, inseguros no novo papel que estão ocupando. Se voltarmos no tempo, lembraremos bem do que essa etapa representa, uma angústia que parece ser eterna e imensurável. Nós que passamos por isso sabemos bem dizer o quanto essa etapa significa um grande desafio que nos exige sair da zona de conforto.

E nós, como pais, como ficamos e ajudamos a superar ou a lidar com essas angústias da adaptação? Deixar de ser pais de uma criança para ser pais de um adolescente, por muitas vezes, nos aterroriza frente aos conflitos que essa passagem nos coloca hoje. Entretanto, por mais que tentamos evitar, esse momento também pode ser visto como a possibilidade de descobrir novas potencialidades e reconhecer nos filhos formas de enfrentamento que até então não se enxergavam.

Piaget, reconhecido psicólogo suíço, realizou relevantes estudos sobre o desenvolvimento humano e concluiu que nós, seres humanos, só conseguimos desenvolver nossas funções cognitivas por meio de um processo de adaptação, que requer anteriormente uma vivência efetiva de desequilíbrio. Segundo ele, o desequilíbrio se dá quando nos deparamos com objetos e situações inusitadas, em que ainda não temos uma estrutura cognitiva para pensar e agir em conformidade com a situação. Esse processo é constante, e é ele que nos faz desenvolver não só as nossas competências intelectuais, mas as nossas habilidades socioemocionais.

Se tratando do período da adolescência, o desequilíbrio, além de ser constante em diversos setores, é intenso, o que requer de nós uma nova forma de olhar para os filhos. Podemos, a partir disso, olhar para esse período de adaptação na Escola que as vezes é tão sofrido e angustiante como um desequilíbrio saudável, em que, diferente de outros momentos, não podemos fazer por eles, e sim acompanhar e ajudar os nossos adolescentes se aventurarem e se adaptarem aos conflitos da vida adulta.

Abrir espaço para o acolhimento de sentimentos tão confusos e intensos, em que possa haver uma escuta ativa das angústias e ansiedades presentes nesse momento, talvez seja a melhor maneira que a família pode contribuir para esse processo. Promover conversas em que esse sofrimento possa ser reconhecido e validado podendo até mesmo compartilhar experiências, contribui para além de uma maior aproximação com os filhos, com a sensação de que o que estão passando é comum, e que até mesmo aqueles que eles julgam não estar sendo afetados por isso podem estar na mesma situação.

Sendo assim, diante da angústia de ver os filhos crescendo e do medo que esse fato pode trazer, seja também um momento de reconhecimento do quanto eles mesmos já conseguem ter autonomia para resolver as suas questões e conflitos. Acolher, acompanhar, orientar e reconhecer as formas de enfretamento que eles desenvolvem, agora não mais como crianças, e sim como adolescentes, talvez seja a melhor forma de contribuir para que esse mar de intensidades das primeiras aulas não acabe, mas traga com elas novos aprendizados que seguirão para a vida toda.

*Tatiely P. Araújo é Psicóloga Escolar da Escola Interamérica - Unidade II e Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Brasileira de Educação e Cultura.

 

 

 


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