Comunicação

Escola Interamérica, Uma Escola Viva

Publicado em : 26/06/2020

 

 

Escola Interamérica, Uma Escola Viva

 

por Vera Lúcia Wohlgemuth Lobo*

 

Eu sei que por algum tempo vou me manter oscilante entre a razão e o desejo. Algumas decisões são tomadas com o coração inquieto e o pensamento tomado por muitas coisas que aconteceram e acontecem, tudo misturado. Sei também que o tempo vai ser meu amigo para essas coisas da vida. Com coragem eu sigo, nessa velocidade que não temo, nem mesmo de ousar ser feliz.

Fernando Pessoa

 

E assim, o tempo passou... Nesses meses vivemos inúmeras incertezas, angústias, enfrentamentos, descobertas e aprendizagens. Concluímos o primeiro semestre de 2020 num processo de aulas não presenciais, longe fisicamente, porém mais perto do que imaginávamos. O espaço da escola passou a frequentar o espaço da casa de cada criança, cada estudante. Literalmente, nossos espaços se viram misturados por meio das telas carregadas de encontros afetuosos.

Saímos todos da nossa zona de conforto e tivemos que nos readaptar à nova realidade imposta. Cada um sentiu e viveu esse período de diferentes maneiras, não é mesmo? E, gradativamente, os medos foram se transformando. Das dúvidas e angústias, nasceram  possibilidades e certezas.

Nosso grande aliado e senhor dos destinos, o tempo, ajudou-nos a acomodar e enfrentar essa situação. As decisões tomadas foram sendo ajustadas para que pudéssemos utilizar nossa força motriz, o desejo, na busca de viver essa realidade, que nos foi imposta, da melhor forma possível.

Pudemos perceber o quanto somos seres capazes de mudar, de transformar e de aprender sempre, e nas condições mais adversas. Esta é uma das certezas que ficou evidente! Terminamos o semestre com um saldo de aprendizagens positivo.

O resultado de tudo que vivemos está sendo colhido agora, nos momentos de avaliação, de balanço entre o que projetamos em janeiro de 2020 e o que realizamos até o momento. Pesquisamos com famílias, avaliamos estudantes e paramos para olhar todo o processo vivido. Nessas últimas semanas de junho, a equipe pedagógica da Escola Interamérica esteve reunida em conselho de classe para falar de cada estudante, de cada família. É surpreendente como, mesmo de longe, os(as) professores(as) conseguiram perceber necessidades e buscaram diferentes recursos na tentativa de auxiliar estudantes e famílias a seguirem aprendendo e ensinando. Família e escola caminham juntas em prol do desenvolvimento e da aprendizagem dos(as) filhos(as), nossos(as) estudantes. Nesse modelo de ensino, mais do que nunca, precisamos contar com a parceria e a união das famílias.

Encerramos com o sentimento de que vencemos essa etapa, que promovemos aprendizagens, acolhemos as famílias e os estudantes, fomos acolhidos(as) também e abrimos novos espaços para a escuta e para o diálogo.

O que temos pela frente não sabemos, mas temos a certeza do quão fortes fomos e da capacidade que temos para enfrentar as mudanças e aprender sempre. Podemos afirmar que estamos preparados para essa nova realidade que nos espera.

Nosso desejo e coragem nos fazem perseguir o conhecimento e seguir estudando e pesquisando, questionando e aprimorando os recursos técnicos e didáticos adotados, na busca incessante de promover mais interação entre os pares e, consequentemente, potencializar as aprendizagens.

Em  agosto, vislumbramos a possibilidade de retorno híbrido (presencial e virtual). Para que isso possa acontecer, as salas de aula já estão sendo montadas com a tecnologia necessária para transmissão das aulas e, se possível for, receber os estudantes respeitando todos os protocolos.

No intuito de seguirmos ensinando bem e estimulando equilibradamente os aspectos cognitivos, novas diagnoses e retomadas de conteúdos já estão planejadas, e os objetivos essenciais propostos para o ano mantidos, com alguns pequenos ajustes, é claro.

Ao longo desse período, cuidamos e continuaremos a cuidar do desenvolvimento socioemocional e afetivo de nossas crianças e estudantes. Por meio das rodas reflexivas e de conversas, promovemos momentos de diálogo aberto e troca de impressões, sentimentos e sensações sobre o que vivemos e como ainda viveremos e enfrentaremos com sabedoria, os momentos difíceis que porventura vierem.

Na escola, seja ela presencial ou não, semeamos perguntas, inquietações e esperança que permitem com que floresçam diferentes espaços. Espaços para as descobertas, bem como para o enfrentamento de dificuldades, ou ainda, para os encontros com a felicidade e encantamento com a vida.

Somos uma escola viva e democrática, que cria espaço aberto para a discussão e a participação de todos os envolvidos no processo de ensino e de aprendizagem.

 

Estar vivo é estar em conflito permanente, produzindo dúvidas, certezas sempre questionáveis. Estar vivo é assumir a educação do sonho cotidiano. Para permanecer vivo, educando a paixão, desejos de vida e de morte, é preciso educar o medo e a coragem. Medo e a coragem de ousar. Medo e a coragem em assumir a solidão de ser diferente. Medo e a coragem de romper com o velho. Medo e a coragem em construir o novo. (Madalena Freire)

 

Os nossos votos são de que sigamos aprendendo a viver com resiliência e a superar as adversidades, que possamos utilizar os conhecimentos adquiridos, para solucionar problemas e para descobrir novos caminhos, transformando os que já existem. Vamos, juntos, construir o novo, o diferente em busca de nossa utopia... Construir um mundo melhor!!!

 

*Vera Lúcia Wohlgemuth Lobo é Diretora Pedagógica da Escola Interamérica.

 


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