Comunicação

As férias e um mito: tempo de reflexão

Publicado em : 28/06/2019

 

 

As férias e um mito: tempo de reflexão

 

 

por André Mols*

 

Gosto muito de épicos, e gosto em particular de Mitologia Grega. Uma das histórias que mais gosto é a de Cronos, deus do tempo. Quando eu era criança fiquei muito impressionado quando li pela primeira vez “Os doze trabalhos de Hércules”, produção de Monteiro Lobato. A partir daí expandi minhas leituras, até conhecer os Titãs (não a banda...). Cronos, Hades, Poseidon... cada um deles com personalidade forte, como é característico de todos, e me encantei, em particular, ao começar a entender como uma história era conectada à outra, como um personagem era ligado a outro.

Conceitualmente, e de maneira simplista, um mito tem o objetivo de explicar algo para o qual ainda não há explicação conhecida. Pode ser um fenômeno natural (uma de suas principais funções, diga-se de passagem) ou uma situação absolutamente inusitada. Resta, portanto, a necessidade de explicar algo que não entendemos ou não conhecemos. A imaginação fértil do ser humano fica com a responsabilidade de criar uma narrativa que se faça satisfatória para os anseios daqueles que buscam entendimento.

O tempo, dentro de múltiplos assuntos tratados na mitologia, é o protagonista de uma história complexa, e absolutamente atemporal. Segundo consta, Cronos (deus ctônico, de linhagem diferente dos deuses telúricos, como Zeus, por exemplo), devorava todos seus filhos no nascimento, desta maneira garantindo que nenhum deles viria a substituí-lo. No entanto, eventualmente foi substituído por Zeus. Diga-se de passagem que vale muito a leitura. A reflexão que faço, portanto, gira em torno da analogia entre o tempo e sua capacidade simbólica de nos “devorar”.

Ora, entendemos claramente o que isso significa, implicando o passar dos dias, meses e anos, ao longo de nossas vidas. Vale observar que dias, meses e anos, e ainda horas, minutos e segundos, por sua vez, são meros marcadores de fenômenos naturais, vinculados diretamente à Terra enquanto planeta. Basta mencionar o trabalho desenvolvido por Stephen Hawking em torno do buraco negro ou ainda Albert Einstein para entender, mesmo que forçosamente, que o conceito de tempo, assim como o compreendemos, está circunscrito ao nosso planeta.

Voltando aos marcadores temporais, estes servem, muito bem, outro propósito – servem para indicar exatamente quanto tempo passou por entre nossos dedos, e, quem dera, servem ainda como marco importante para reflexões que são sempre necessárias. Estamos, agora, encerrando mais um semestre letivo. Neste grupo de seis meses, vivemos, convivemos, rimos e choramos. Entramos em contato com emoções diversas e, possivelmente, entendemos um pouco mais nossa humanidade.

A escola não pode, de maneira nenhuma, furtar-se diante desta tarefa também. Instituição humana que é, busca, dia após dia, contribuir com o desenvolvimento de inúmeros outros indivíduos que estão vivendo um momento tão especial em suas vidas – a infância e a adolescência. Nestes períodos mágicos, as paradas para reflexão são de enorme valia, na medida em que ajudam o indivíduo a perceber sua trajetória e seu grau de protagonismo e responsabilidade. No limiar das férias de julho, portanto, estamos nós a discutir filosoficamente o que o término do semestre letivo representa para nossa escola, coletivamente.

Penso que significa, em primeiro lugar, a satisfação de acreditar na qualidade do trabalho desenvolvido. Não que este seja perfeito. Não é, e seria outro enorme equívoco acreditar no contrário. É exatamente por entender a impossibilidade da perfeição que caminhamos, todas as manhãs, para este encontro. É por este motivo que vale muito a reflexão sobre o tempo que passou – não por ele ter simplesmente passado, mas para vislumbrarmos como este foi utilizado.

Se acreditamos nos mitos ou não, definitivamente não vem ao caso. A questão realmente não é essa. Fato é que o tempo não nos “devora”, assim como colocado pelo mito. Olhando para os meses que se passaram no ano de 2019, a pergunta que fica é – como quero usar o tempo que tenho nos próximos seis meses, antes do término deste ano? O que aprendi? O que almejo aprender?

Segundo Eduardo Galeano, a utopia serve para nos manter caminhando. Acredito que o passar do tempo também. Podemos dar pequenos passos, ou passos de gigante. A decisão é de cada um. Quanto a mim, recordo-me com frequência de quando conheci Cronos, como agora mesmo, e busco fazer cada segundo valer à pena. Poderia ainda retomar a frase famosa de Fernando Pessoa, mas prefiro, por ora, um poema de Rainer Maria Rilke que me cativou a muito tempo atrás (tradução de José Paulo Paes)

 

A minha vida eu a vivo em círculos crescentes

 

A minha vida eu a vivo em círculos crescentes

sobre as coisas, alto no ar.

Não completarei o último, provavelmente,

mesmo assim irei tentar.

 

Giro à volta de Deus, a torre das idades,

e giro há milênios, tantos...

Não sei ainda o que sou: falcão, tempestade

ou um grande, um grande canto.

 

Boas Férias!

 

*André Mols é Gestor de Desenvolvimento e Currículo da Escola Interamérica - Unidades I e II e músico.


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