Comunicação

A “romantização” do isolamento social em casa

Publicado em : 11/05/2020

 

A “romantização” do isolamento social em casa

 

* Prezadas famílias, seguem contribuições da nossa psicóloga escolar, Tatiely Pereira, para uma boa reflexão... Apreciem a leitura!

 

Estamos todos no mesmo barco? Não. Na verdade nunca estivemos, e agora, mais do que nunca, não estamos. Se há algo em comum que nos interliga nesse tempo de pandemia é o fato de estarmos imersos no cenário que é a nossa casa, na realidade das nossas relações interpessoais, nas diferentes rotinas de cada um, nos diferentes modos de se viver esse tempo, nas diferentes estratégias de lidar com o isolamento social. E é preciso reconhecer as diferentes realidades presentes na dinâmica familiar de cada família. Alguns não podem trabalhar em casa, outros estão abarrotados de trabalhos no modo home office, outros com muito pesar precisam sair para trabalhar. Assim como cada filho, alguns se acharam muito bem nessa nova rotina familiar e escolar, alguns estão muito estressados e angustiados com o que está acontecendo, e outros parecem estar vivendo os melhores dias de suas vidas.

Um dos maiores erros que a tentação não nos deixa escapar é tomar a medida do outro e a família do outro como critério para avaliar a nossa. Se o outro consegue produzir tanto em casa, se todos da casa estão tão bem alocados, se seguem tão bem o planejamento da rotina, por que será que a minha ainda está assim, tão desorganizada, estressante e angustiante?

Esses são alguns dos sentimentos que enquanto psicóloga tenho escutado de algumas famílias que estão imersas no cenário de casa. Mas essa conta não fecha porque ora esquecemos que há uma diferença muito grande no que acontece de verdade e no que é falado, e ora esquecemos que uma das maiores estratégias que o ser humano possui para lidar com tempos de desastres sociais é a negação. E essa negação passa principalmente pelo não reconhecimento da realidade em si que nos acomete a cada dia. Pela dificuldade de reconhecermos e validarmos diferentes formas de lidar com essa situação, assim como os diferentes sentimentos que fazem parte de cada dia.

É normal não estar disposto todos os dias. É normal e esperado ficarmos tristes, ansiosos, preocupados, inseguros. Assim como é esperado termos dias mais esperançosos, animados, inventivos, produtivos e alegres. Temos sempre uma tendência em menosprezar e não aceitar aquilo que sentimos e fazemos quando isto gera algum desprazer, mas esquecemos que, na verdade, só temos prazer porque em um outro momento houve desprazer. Precisamos acolher nossos sentimentos seja ele qual for, e aceitar que eles fazem parte das condições de nossa vida nesse momento. Do mesmo modo, precisamos nos inserir e nos manter em nossa rede de apoio para que a ansiedade, o medo, a tristeza não nos paralisem. Precisamos do outro para nos apoiar, escutar, acolher esses sentimentos para dar lugar a outros momentos mais animados e de alegria que também podem surgir.

E, com certeza, essa pressão por estar bem e pela produtividade passa para nossas crianças e adolescentes. Muitos não sabem lidar com os ditos “sentimentos ruins” e buscam a todo tempo tamponar essa angústia emergente com algo que ora contribui para o seu desenvolvimento, ora pode ser avassalador. Acredito que, enquanto família, podemos questionar: estou acolhendo as diferentes formas de sentir e viver esses dias? E mais ainda... “Ofereço espaço de acolhimento para meu filho viver e sentir de diferentes formas esse período?

 

Tatiely Pereira de Araújo Becker

 


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