Comunicação

Superamos nosso período de adaptação 2019... Será?!

Publicado em : 22/02/2019

 

Superamos nosso período de adaptação 2019... Será?!

por Gyselle R. R. Bessa

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Vamos pensar sobre nossa adaptação escolar: estamos no final de fevereiro de 2019 com a sensação de que superamos o período de adaptação inicial, típico em todo (re)começo de ano: nova sala de aula, novos amigos na turma, novos professores, uma nova escola! Sim, todos os anos nos redescobrimos como uma nova escola, já que novos integrantes chegam, novas perspectivas surgem e, com isso, novos rumos são traçados sempre. Aqui na Interamérica é assim: a cada reunião de pais que fazemos, tiramos uma lição; a cada livro que lemos, alteramos imediatamente nosso planejamento; a cada criança que nos solicita, novas estratégias são lançadas... Ou seja, estamos nos ADAPTANDO SEMPRE!

Nos adaptamos aos novos horários e espaços, nos adaptamos uns aos outros, aos novos ambientes... Adaptar é uma habilidade humana interessantíssima e fundamental! É“o ajuste de uma coisa a outra”, como assim está descrito em vários dicionários. E é com essa capacidade de adaptação que conseguimos chegar até aqui, hoje e agora, como seres humanos.

Pois bem, superamos o chororô inicial da Educação Infantil e nos adaptamos a uma chegada mais tranquila e alegre, mas não nos iludamos! Sabemos que o choro fará parte de nosso cotidiano, sempre que o final de semana for superdivertido em família (já que se despedir de quem se ama nunca é fácil) ou sempre que o parque estiver muito animado e a prô tiver que divulgar: “Acabou nosso parque! Vamos pra sala!”ou mesmo quando meu amigão tropeçar no meu pé e nós dois cairmos “de maduro” no chão...

Por isso, vamos refletir um pouco sobre o valor do choro em nosso processo de adaptação não só escolar, mas de adaptação à vida humana. Tomarei emprestadas as belas palavras de Marcelo Cunha Bueno (2018) para isso:

“Para lidar com o choro, temos de nos desprender da ideia de sofrimento. Nem sempre sofremos quando choramos. Para as crianças, o choro pode significar muitas outras coisas.

Vejo alguns familiares se desesperarem quando a criança chora para entrar na escola. Qualquer educador espera que a criança, mais cedo ou mais tarde, mesmo a mais descolada da escola, vá chorar. Elas precisam elaborar frequentemente o que significa ir à escola, pois simboliza crescimento, portanto desafio. Nem sempre as crianças estão a fim de encará-lo. Sabe o que fazem? Como expressam essa vontade? Chorando!

O choro não representa necessariamente algo que tenha acontecido, ou que a criança não goste daquela escola. O choro é a expressão possível de um montão de sentimentos que ainda não têm nome. Por isso, não adiante desesperar. A criança quer escutar daqueles que ama que ela vai conseguir, que será difícil, mas que vai superar seus desafios. Existe coisa mais tranquilizadora para uma criança quando a mãe ou o pai a autorizam a se afetar por outro adulto? Quando os familiares dizem: “Você pode procurar o colo da prô quando precisar…”?

Já presenciei muitas cenas de famílias que acabam induzindo a criança a contar uma história que explique o choro sem ao menos terem vivido aquilo. “Você está triste porque a mamãe tá trabalhando demais? Porque a mamãe não te deu aquele brinquedo?” A criança, sem saber que choro precisa ter explicação, diz que sim, para encerrar o assunto e ganhar logo de uma vez a atenção corporal do adulto.

O adulto precisa encorajar a criança. Precisa se mostrar seguro, precisa autorizar a criança a sentir o que sente, mas sem abri mão do que está posto. Ir à escola, por exemplo, não dá para ser negociado. Insistir e jogar limpo: “Está difícil, mas você vai conseguir!”

Brinco sempre com as famílias que, se crescer fosse um jogo de percurso, as regras desse jogo seriam: a cada passa para frente, três para trás. Isso significa que, para crescer, a criança precisa checar o caminho percorrido para se sentir à vontade e segura para ir adiante. Andar para frente, seguir o caminho significa olhar para trás e entender o que significou cada passo dado. Chorar não é regredir. É Crescer!”

E assim, com todo o afeto e a responsabilidade que temos por nossas crianças, podemos declarar agora e juntos: nosso processo de adaptação está a todo vapor, sempre, aqui na Interamérica! Aqui é lugar de convivência diária, de compartilhamento de experiências, histórias, indagações, sonhos... Sabemos que lidaremos cada vez melhor uns com os outros e com o crescimento de nossas crianças, nos adaptando sempre! Nesse lugar chamado escola, que se faz todos os dias pela travessia constante de encontros humanos!

 

Verão de 2019

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*Gyselle R. R. Bessa é Coordenadora Pedagógica da Ed. Infantil da Escola Interamérica


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