Comunicação

Ser estudante: uma postura para a vida

Publicado em : 10/08/2018

 

Ser estudante: uma postura para a vida                             

 

por Luana Selva Ortencio* 

 

Em Educação, fala-se muito de um futuro em que a habilidade de aprender será mais importante que todo o conteúdo que temos acumulado em nossas mentes; um futuro em que o mundo estará sempre em constante mudança e que as informações estarão mais acessíveis; um futuro em que novas profissões e desafios no mercado de trabalho surgirão a todo momento e onde a flexibilidade e capacidade de inovação serão cruciais para se ter sucesso em qualquer área da vida.

Engraçado... Esse futuro me parece muito com o presente, você não acha? Fala-se de educação para o século XXI como se ele estivesse logo ali, virando a esquina, quando já estamos fechando sua segunda década e correndo atrás de todas essas “habilidades do futuro”.

De todas as ditas “habilidades do futuro” que eu ouço falar por aí, a que mais me impressiona e que mais gosto é a de “aprender a aprender” ou, “ser estudante para toda a vida”. Ao meu ver, essa habilidade já é uma das mais importantes a se adquirir há muitos e muitos séculos, encontrada na biografia de gênios e homens e mulheres de sucesso desde tempos imemoriais. A curiosidade, a cabeça aberta, a mente flexível e a habilidade de se estar sempre aprendendo coisas novas, saindo de moldes pré-estabelecidos, indo além do que se é conhecido, são características que essas pessoas têm em comum.

É verdade que no século XXI essa habilidade e postura de estudante se tornou crucial a todos e não pode mais se restringir ao comportamento de grandes gênios. Saber estudar, saber buscar e filtrar as informações, assimilá-las e aplicá-las virou uma questão de sobrevivência na Era da Informação. Hoje o conhecimento é mais democrático e acessível e não é permitido estar desatualizado ou desinformado; não há mais desculpas para a ignorância e a falta de conhecimento. Empresas procuram pessoas que consigam se infiltrar no grande mar de informações que é a internet e sair de lá com a capacidade de resolver problemas ou pelo menos ter o planejamento de uma solução viável e rápida para problemas reais.

E como atualmente, mesmo fora do mercado de trabalho, estamos inseridos na internet o tempo inteiro, a postura de estudante tornou-se necessária para se sobreviver em qualquer área e aspecto de nossas vidas sem ser vítima de fake news, golpes, difamações, hiper-consumismo e outras armadilhas embutidas nesse maravilhoso mundo da informação ultra-rápida.

Eu não lembro quando eu me apaixonei pelo aprender em si – acredito que foi com a leitura - mas sou uma das pessoas sortudas desse mundo acometida por essa paixão. Como em um bom casamento, eu e a aprendizagem nos apaixonamos várias vezes e tivemos várias oportunidades para reviver essa paixão: quando tive que aprender a cozinhar saindo da minha redoma teórica e aprendendo habilidades manuais; quando entrei na universidade e descobri as incríveis possibilidades do mundo acadêmico... Entretanto, uma das mais recentes e mais bonitas dessas oportunidades foi quando eu tive a honra de experienciar e participar da história de amor entre a aprendizagem e uma outra pessoa: o meu sobrinho.

Foi no Ensaio Acadêmico da Escola Interamérica1 que meu sobrinho Pedro descobriu uma outra faceta da aprendizagem, um outro mundo de possibilidades em que a postura de estudante não era mais uma obrigação para se sair bem na escola, mas para crescer, evoluir, explorar um assunto que gosta e produzir algo a partir disso: conhecimento. Ele explorou a música, a História e o mundo moderno, três paixões que compartilhava com os amigos; mas hoje eu vejo que essa experiência foi muito mais ampla. Hoje ele explora a Física, a Música Brasileira, a Teoria Musical, a Matemática, a História Antiga, os jogos de videogame e memes da internet, tudo com a mesma postura analítica, curiosa, disciplinada e persistente que aprendeu no Ensino Fundamental. O Pedro consegue se sair bem em todas os componentes curriculares do Ensino Médio porque aprendeu a forma de explorar e assimilar conhecimentos, mesmo os que ele não gosta; aprendeu a encarar os estudos como um desafio, uma exploração, uma questão de prática, esforço, persistência, disciplina, análise e crítica. Quando eu o vejo encarar quase tudo em sua vida com essa postura, eu me sinto tranquila quanto ao seu futuro, mesmo que muitas vezes ele não o esteja, sendo o adolescente que é. Eu sei que nesse mundo maluco cheio de informações, ele sabe navegar e durmo melhor.

E o que é essa postura de estudante que precisamos ter a vida inteira? Ela vem de uma visão da aprendizagem como um processo, e como todo processo ela tem seu tempo e método, além de trazer resultados. É uma postura de dar importância à rotina, de saber que não se aprende de uma hora para a outra e que a rotina de ler, explorar, praticar, assimilar e adaptar o que vamos compreendendo é até mais importante do que a informação com que estamos lidando. É uma postura curiosa e analítica, que consegue relacionar as informações dadas com outras informações que foram assimiladas no passado ou em situações diferentes. É pensar fora dos moldes e de forma crítica, sempre olhando as informações e situações de maneiras diferentes. É ter prazer e se empolgar com conclusões e produtos construídos. É “colocar a mão na massa” e fazer e refazer até compreender todo o processo. É aceitar erros e fracassos como lições e não motivos para desistir. É ter persistência.

E, de novo, é necessário entender que a aprendizagem é um processo e não um milagre. Que requer esforço, rotina e recomeços...

Estas parecem habilidades de super-herói, mas acredite em mim, não é. A postura de estudante é a postura mais natural ao ser humano, pois é isso que nós somos, é isso que temos feito nesses poucos milênios de evolução. Nós somos eternos aprendizes, eu, o Pedro, você, seus filhos... Basta alimentar e reforçar o estudante que já está lá e lhe dar a autonomia e o apoio para explorar o mundo. E é para a vida toda.

 

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1. Ensaio Acadêmico é um projeto da Escola Interamérica onde os estudantes do 9º Ano produzem um trabalho nos moldes científicos. Um "ensaio" para a vida acadêmica, o Ensaio Acadêmico exige que o estudante passe por todo o processo de produção científica: a busca do orientador (um dos professores da escola) e de um tema, a pesquisa, a análise de dados, conclusão, produção de um artigo escrito e a defesa perante uma banca, é uma experiência de aplicabilidade de várias habilidades e competências necessárias a um estudante.

*Luana Selva é formada em Psicologia pela Universidade de Brasília e Assessora de Comunicação da Escola Interamérica - Unidade II.


Que orientações e dicas de estudos são feitas aos nossos estudantes?

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 17/08/2018

Nossa mente busca formas de escapar das tarefas que julgamos mais chatas ou mais cansativas e, com o tempo, se torna uma máquina de desculpas e, o pior, nós aceitamos essas desculpas! Precisamos ter força de vontade e determinação para conquistarmos os objetivos. A Escola Interamérica cotidianamente reflete com os estudantes sobre a importância de aproveitar a sala de aula como espaço de aprendizagem e entender a rotina de estudo em casa como necessária para a consolidação do conhecimento.

Seguem algumas dicas para ajudar no melhor aproveitamento do estudante, em casa e na escola, em relação às tarefas de casa e de estudante (essas dicas também são trabalhadas com os estudantes aqui na Escola Interamérica)


Empreendedorismo Cognitivo

Empreendedorismo Cognitivo

 03/08/2018

O conceito de empreendedorismo, ao contrário do que parece, está inserido no DNA do ser humano. O motivo é muito simples – desde tempos anteriores ao tempo, sempre foi necessário inovar para atender as necessidades básicas de subsistência e sobrevivência e para tentar entender os mistérios do universo. Neste aspecto, nada mudou na história da humanidade, portanto. Descobrir como preservar ou produzir fogo, entender como são gerados os bebês, acreditar que sempre nascerá um novo dia, reconhecer o papel do cérebro no processo de cognição, viajar pelo espaço sideral, foram e são motivos para buscar o novo, aquilo que não é conhecido. No enfrentamento destes desafios, a humanidade buscou inovar, buscou empreender. Ferramentas seriam, são e serão criadas todos os dias para nos aproximar de nossos objetivos. Processos são revisados, adaptados, alterados, abandonados e retomados visando o desenvolvimento.


Formação continuada na Escola Interamérica – aprender contínuo para atuar com competência                            

Formação continuada na Escola Interamérica – aprender contínuo para atuar com competência                            

 29/06/2018

À escola cabe hoje mais do que trabalhar com informações e conceitos, propor atitudes, formação de valores e práticas inovadoras, por isto faz-se necessário repensar o papel do docente e a sua atuação. As demandas sociais das novas gerações exigem práticas e desafios inúmeros.

O professor, ciente de que sua prática é cada vez mais complexa devido às mudanças de paradigmas impostas pela sociedade, se vê em meio a tantas perguntas:


Estudante como protagonista e os benefícios para a aprendizagem

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 21/06/2018

A tradicional ideia de que o conhecimento em sala de aula está centrado no professor ou no estudante tem dado espaço para uma outra forma de pensar a educação.

Agora vemos o estudante como protagonista de seu processo de aprendizagem, em uma relação de troca com o professor, em uma via de mão dupla em que ambos aprendem e se desenvolvem.


"O papel da escola no desenvolvimento socioemocional do indivíduo" e "A grande engrenagem"

 15/06/2018

Essa semana, a Escola Interamérica compartilha dois interessantes textos, escritos por duas de nossas Orientadoras Educacionais, sobre a escola e o desenvolvimento socioemocional de crianças e adolescentes.


Cortella: ‘A escola passou a ser vista como um espaço de salvação’

Cortella: ‘A escola passou a ser vista como um espaço de salvação’

 08/06/2018

O filósofo, educador e professor Mario Sergio Cortella alerta que as famílias estão confundindo escolarização com educação; para ele, pais devem retomar seu papel


A importância da parceria família e escola

A importância da parceria família e escola

 25/05/2018

A família e a escola formam uma equipe. É fundamental que ambas sigam os mesmos princípios e critérios, bem como a mesma direção em relação aos objetivos que desejam atingir. Ressalta-se que, mesmo tendo objetivos em comum, cada uma deve fazer sua parte para que se atinja o caminho do sucesso, que visa conduzir crianças e jovens a um futuro melhor.


A adolescência está mais complexa

A adolescência está mais complexa

 19/05/2018

Há até pouco tempo, sabíamos com clareza conceituar a adolescência: um período de transformações pessoais, sociais, emocionais, psicológicas e, principalmente, de concepção a respeito de si mesmo e da vida, que resultava em mudanças de comportamento. A puberdade –as alterações físicas dessa etapa– antecedia a adolescência e a precipitava.

E agora? Primeiramente, essa etapa da vida foi prolongada: não termina mais perto dos 20 anos, com a entrada na maturidade adulta. Hoje, podemos considerar a adolescência até mais ou menos os 25 anos, e olhe lá! Seu início também foi antecipado: não depende mais da puberdade, pois pode se iniciar bem antes.


Educação para a Paz

Educação para a Paz

 18/05/2018

Respeitar a vida, rejeitar a violência, ser generoso, ouvir para compreender, preservar o planeta, redescobrir a solidariedade


Mãe

Mãe

 11/05/2018

Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também. E um polvo. Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho.