Comunicação

Parceria família-escola

Publicado em : 09/02/2018

Parceria família-escola:

a importância dos limites e da educação em valores

Maria Tereza Maldonato

Juntar as competências da família e da escola faz com que crianças e jovens se desenvolvam bem. Mais do que as cobranças e as críticas que as famílias fazem das escolas e vice-versa, é importante fazer essa integração da equipe escolar com a "equipe familiar" para que os pequenos momentos do cotidiano possam ser aproveitados para a prática da educação em valores fundamentais (respeito, gentileza, solidariedade, cooperação, entre outros) e para a colocação dos limites indispensáveis para encarar os desafios do desenvolvimento.

O principal desafio é passar da lei do desejo para a lei do consenso ("nem sempre posso fazer o que quero na hora em que eu tenho vontade ou do jeito que eu quiser"). Para que isso aconteça, é preciso desenvolver o controle da impulsividade (da raiva e do desejo), que possibilitará a autorregulação (por exemplo, distribuir o tempo dedicado aos deveres e aos prazeres) e a administração da raiva ("aprender a tomar conta da raiva para que ela não tome conta da gente"). Os desafios do desenvolvimento incluem também a percepção do outro (não somos o centro do mundo, os outros também existem e, com eles, precisamos fazer "acordos de bom convívio"). Por fim, a percepção de que "quando aprendemos a tomar conta de nós mesmos, ninguém precisa ficar mandando na gente" marca o caminho que vai da dependência quase total da criancinha para a autonomia e a contribuição recíproca dos vínculos maduros.

Limites claros, coerentes e consistentes, na família e na escola, são indispensáveis para o bom desenvolvimento emocional e para a inteligência dos relacionamentos. Isto significa trabalhar com a criança a descoberta de possibilidades ("Isso que você quer fazer agora não pode, mas vamos descobrir o que pode?" "Como você pode mostrar que ficou com raiva do seu amigo sem bater nele?"). Quando os limites não são respeitados, precisam gerar consequências cabíveis, caso contrário, a credibilidade da palavra enfraquece. Comunicação é palavra, expressão corporal e ação: quando esses três aspectos se integram, enviamos mensagens coerentes, mas quando se desencontram, é a palavra que perde o poder. É missão impossível educar crianças quando não contamos com o poder da nossa palavra.

Há um ditado inglês que ensina que "não devemos jogar fora o bebê junto com a água do banho": por medo de serem autoritários, muitos pais não exercem autoridade e afirmam que não conseguem dizer "não" aos filhos. Tentam delegar essa tarefa para a escola, sem perceber que os limites são essenciais nos dois contextos em que as crianças desenvolvem diferentes tipos de vínculo (na casa e na escola). Pior ainda é quando os pais que não dão os limites necessários se desentendem com os professores que colocam as consequências cabíveis para os comportamentos inaceitáveis ou para as tarefas e "combinados" que não são cumpridos.

É preciso aproveitar as oportunidades do cotidiano para colocar os limites devidos e construir bases sólidas da educação em valores, nessa parceria essencial entre família e escola. É isso que promove o desenvolvimento da inteligência dos relacionamentos. Ao preparar crianças e jovens para viverem bem no século XXI, sabemos que competência técnica não é suficiente para a crescente demanda de conviver em grupos e trabalhar em equipes: é preciso desenvolver o espírito empreendedor para perceber as oportunidades que se apresentam, aprender a administrar os conflitos que surgem das diferenças entre as pessoas, respeitar a diversidade e ter visão sistêmica. As principais características da inteligência dos relacionamentos são: a capacidade de pensar antes de agir, comunicar-se com clareza, ter empatia, oferecer colaboração, valorizar os vínculos ("ser é mais importante do que ter").


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Em casa eu não poderia ser diferente. Com o apoio de Luciana Maciel buscamos orientar nossas filhas, desde sobre os problemas da dependência tecnológica como também sobre as armadilhas que a internet esconde.

De aniversário de 10 anos (sei que ainda é nova, mas uma das últimas a ter o celular na escola), a Caetana ganhou seu primeiro celular. Não usa o tempo inteiro ainda. Há muitos limites. Regras que foram traçadas num "contrato", o qual ela teve que aderir.

Inspirado, porém completamente reformulado, na versão de Janell Burley Hofman, sintam-se livres para compartilhar esse contrato ou utilizar com seus filhos.


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É fato que planejamos nossas vidas. Fazemos planos a curto, a médio e a longo prazo e em boa parte desses planos somos surpreendidos. Me lembro que quando criança fui surpreendido com um videogame no dia do meu aniversário (excelente surpresa!). Me lembro do meu tempo de escola, quando me surpreendi com uma nota baixa em uma prova que eu havia estudado bastante (péssima surpresa!). Me recordo também da surpresa ao ver o resultado do meu primeiro vestibular (essa prefiro esquecer). Tenho certeza que você leitor também poderia relatar inúmeras surpresas ao longo de sua vida; boas, ruins e aquelas que não gostamos de lembrar.