Comunicação

O que tem deixado crianças e adolescentes tão tristes e depressivos? Como resgatá-los? Especialistas orientam

Publicado em : 05/04/2018

O que tem deixado crianças e adolescentes tão tristes e depressivos? Como resgatá-los? Especialistas orientam

 

adaptado do texto de Lilian Monteiro* 

 

Fragilidade emocional, frustrações, estrutura familiar. Crianças e adolescentes, que deveriam descobrir a vida de maneira prazerosa, ainda que com suas delícias e dores, sofrem e, muitas vezes, perdem a vontade de viver.  Qual o papel dos pais, da família, dos amigos, da escola e da sociedade? São todos responsáveis? Como cada uma dessas esferas pode agir para resgatá-los da imersão nessa escuridão que os faz desistir de seguir em frente?

 

TÉDIO

Para a psicanalista Inez Lemos, o encontro ao vivo, olho no olho sumiu. “O encontro on-line substitui o contato físico. A tecnologia comanda as rodas de conversa, e o outro com sua presença crítica e verdadeira não interessa a ninguém. Com tudo isso, as crianças sofrem o isolamento físico. A relação com o corpo desaparece em função da relação com a máquina”, afirma.


A vontade de acertar não é garantia de sucesso. Mas os pais têm de assumir o papel de guardiões de seus filhos e estabelecer uma relação de verdade e confiança com eles.

A vida reserva a todos momentos de acertos e desacertos. Muitas vezes, mesmo agindo para que tudo ocorra bem, são inevitáveis os tropeços. No entanto, só há dois caminhos: cultivar o sofrimento ou lutar para superá-lo. Essa dualidade faz parte da criação dos filhos. Não há uma receita pronta, única e garantida. Por isso, o desafio é enorme. O certo é que é preciso estar próximo deles, saber ouvi-los, tirar suas dúvidas, impor limites, dar liberdade e apoiá-los. Não é fácil.


HORA DE ESCUTAR

Para Jane Haddad, neste momento de tantos barulhos, sejam internos ou externos, vale aprender a ter uma escuta que ultrapasse a dicotomia, certo e errado. “Eles (crianças e jovens) precisam e devem ser escutados em sua dor de existir, isso é parte essencial de toda a nossa vida. Escutar o outro em suas questões é um bom começo para se ter em mente que somos todos parte de uma grande família chamada humanidade. E é por ela que devemos liderar. A vida para muitas crianças e jovens está no nível insuportável e quando os escutamos percebemos que eles falam sobre suas angústias sim. Talvez nós adultos não estejamos preparados para escutá-los, já que estamos tão imbuídos de que eles sejam lindos, felizes e bem-sucedidos.”

A psicopedagoga e psicanalista cobra a noção de autoridade. Ela acredita que, para boa parte dos pais contemporâneos, exercer autoridade é quase sinônimo de ter que agradar aos seus “príncipes” e “princesas”, abrindo assim um longo caminho recheado de capricho e desresponsabilização frente às obrigações e de suas necessidades imediatas. “Converso com pais que admitem saber que não estão conseguindo cumprir suas funções, já que trabalham muito e sentem 'dó' de ter que deixar seus filhos sozinhos. Nossos filhos não poderão pagar essa conta. O momento requer um balanço do nosso tempo, da qualidade dele e de que mundo estamos ofertando às novas gerações: um mundo apenas virtual (onde tudo é possível?) ou um mundo real, onde as coisas acontecem com suas dores reais? As novas gerações estão buscando incansavelmente uma causa, algo que lhes faça sentido, algo que lhes sirva de referência e, acreditem, elas não vão parar”.

 

Sugestão aos pais:

  • Escutem seus filhos.
  • “Percam” mais tempo com eles.
  • Conheçam o que eles estão assistindo e frequentando on-line.
  • Conversem e conversem.
  • Autoridade é o primeiro passo para a conquista de uma liberdade responsável.
  • Os pais devem buscar aplicativos de monitoramento aos acessos de seus filhos à internet. Isso já existe e é muito bem-vindo.
  • Proporcionem momentos agradáveis, sem ser em bares ou mesmo na frente de telas.
  • Em caso de separações, poupem seus filhos de ser pombo-correio, lembrem-se de que vocês são os adultos.


INTOLERÂNCIA

A psicóloga Cínthia Oliveira Demaria explica que, “antes de qualquer tristeza, é preciso discutir a fragilidade dos laços familiares atuais. Os pais não são mais próximos dos filhos e eles perderam essa referência, que foi transferida a terceiros, seja do mundo real ou virtual. O enfraquecimento desse laço fez desaparecer um pouco a figura representativa da mãe e do pai”.

Somado a isso, alerta a psicóloga, está a “culpabilização dos pais que repõem a ausência com os filhos nos moldes da sociedade capitalista (consumo), aumentado com a tecnologia. Assim, estudos mostram que muitas crianças e adolescentes entendem a internet como fonte de aprendizado maior do que a sala de aula e os pais. Antes, pais e professores eram essa fonte”. Cínthia enfatiza que, se por um lado a internet aproxima as pessoas, permite o contato de pais e filhos que moram separados, por exemplo, o excesso é prejudicial. E é preocupante quando ela vira referência, ainda mais porque é tentadora.

A tentação pode se transformar em armadilha diante da fragilidade. “É a dificuldade de lidar com a frustração. Quando se deparam só com as vidas perfeitas das redes sociais, o mito da felicidade, eles se questionam por que a vida deles também não pode ser. Eles sonham com o que veem e, para complicar, a absorção do mito da felicidade é inconsciente. Essa frustração muitas vezes não é verbalizada dentro de casa, mas na internet, na figura de uma pessoa virtual. Às vezes, as blogueiras 'perfeitas' são mais referência do que os pais. Aliás, sabe-se mais da personalidade da internet do que o que ocorre dentro de casa”


CULPA

Renata Feldman, psicóloga e psicoterapeuta alerta que, diferente da tristeza que surge em determinados momentos, vivenciada como sentimento, reação, afeto ou estado de espírito, inerente à condição humana, a depressão é doença grave. Para além da genética e da hereditariedade como causas da depressão, ela ressalta que é preciso considerar a experiência de vida dessas crianças/adolescentes e a influência de fatores ambientais: ansiedade, estresse, perdas em geral (separação dos pais, mudança de escola ou cidade, doenças e mortes na família).
 

Em tempos pós-modernos, sentimos justamente a falta dele: do tempo. “Correria, agendas cheias, excesso de estímulos e atividades recaem também sobre o universo infantil, produzindo estresse e ansiedade, porta de entrada para a depressão”, avisa Renata Feldman ao lembrar que, com tantos estímulos e compromissos, há uma ênfase voltada para o pensamento, em detrimento da emoção e sua expressão.

“Regras a serem cumpridas, desempenhos a serem alcançados, pressões e cobranças permeiam o universo infantil e adolescente, gerando ansiedade, angústia e isolamento. (...) Muitas vezes, por não dar conta de verbalizar o que se passa no coração, psicossomatizam por meio de dores as mais diversas: dor de cabeça, dor de barriga, enjoos, náuseas, bruxismo etc. O que pode atrasar ou confundir o diagnóstico da depressão.”


Renata Feldman avisa que a rotina intensa dos pais impede maior tempo de convívio, diálogo e brincadeiras em conjunto. “É preciso entrar no mundo deles, dar colo e acolhida, afeto e amparo. As mães, especialmente, precisam trabalhar sua culpa, traço significativo que detectei em minha pesquisa de mestrado ('As várias faces da mãe contemporânea') e reconhecer que fazem o que dão conta. E que compensá-los com presentes e concessões não preenche o vazio que se instala. É preciso dar amor, transmitir valores e colocar limites. Um caminho é compartilhar com os filhos sua história, suas dificuldades e conflitos quando crianças e adolescentes. E dizer-lhes que é possível crescer e transformar sempre: nenhum problema fica com a 'imagem congelada', nenhum problema dura para sempre.”

 

*Texto completo disponível em: < https://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2017/05/08/noticias-saude,206259/o-que-tem-deixado-criancas-e-adolescentes-tao-tristes-e-depressivos-c.shtml > acesso em 05 abr. 2018.

 

 

Filhos não são presentes

Filhos não são presentes

 05/10/2018

Filhos não são presentes. São surpresas que a vida nos proporciona. Um presente, quando não gostamos, ou quando não nos serve, resolvemos de forma simples: trocamos, passamos pra frente, ou guardamos com a intenção de não magoar quem nos presenteou e juramos pra nós mesmos que, algum dia, usaremos. Já nossos filhos! Ah que bela e não tão fácil surpresa. Um filho pode nunca vir a ser o que tanto sonhamos. Não podemos simplesmente trocá-los ou fingirmos que não existem. Ainda bem! Eles não podem carregar todas as nossas expectativas, pois elas são só nossas.


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 28/09/2018

O principal objetivo da educação em valores é ajudar os alunos a aprender a viver. Essa é a primeira tarefa dos seres humanos, porque, apesar de estarmos preparados para viver, precisamos adotar um modo de vida que seja sustentável


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 28/09/2018

A felicidade é uma questão relativa. Algumas pessoas vão dizer que estão nas coisas simples da vida; outras em conquistar seus objetivos, seus sonhos; outras pessoas vão dizer que ela está nas boas relações. Mas, mesmo sendo tão relativa, a felicidade é o objetivo de todos e é colocada, na maioria das vezes, em um local inalcançável, em um futuro distante ou ao final de uma jornada bem específica que só alcançamos depois de matar alguns monstros e desenvolver certas habilidades.


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 24/09/2018

Atualmente, fala-se muito em fragilidade emocional, os desafios de educar na era digital, a desconexão entre os indivíduos e a superficialidade das relações. Tudo isso não é novidade, mas o que de fato poderia ser feito para mudar esse cenário?

A vulnerabilidade das relações é perceptível, inclusive numa das relações mais estruturantes que é entre pais e filhos. Sempre houve uma diferença conflituosa entre as gerações, diferença esta, salutar, uma vez que promovia discussões, desentendimentos, conversas, questionamentos, mas, com certeza, também muito aprendizado. Mais forte que isso é pensar que as discussões não aconteciam pelo Whatsapp ou pelas redes sociais, as pessoas não eram simplesmente bloqueadas como se assim os conflitos fossem resolvidos. Havia olho no olho, havia presença física.


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 14/09/2018

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Em vários atendimentos que faço aos estudantes, percebo que os conflitos trazidos poderiam ser resolvidos facilmente com um pouquinho de empatia ao próximo. Entendo que o nível de autonomia de um adolescente é diferente de um adulto. Porém a impressão que tenho é que lhes faltam o exercício do desenvolvimento da empatia.

O bacana para tal exercício é que independe de minha classe econômica, grau de inteligência, título que tenho, status social, cor, religião ou gênero; de que me adianta falar mais de uma língua, se não consigo dar bom-dia em um elevador? De que me adianta ser o melhor instrumentista se não consigo tocar a pessoa que está do meu lado precisando de ajuda? De que me adianta ter o título mais desejado na melhor universidade do mundo se não consigo ensinar o básico aos que estão a minha volta?


Estudar, pesquisar e comunicar: três competências fundamentais no cotidiano escolar

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E é por compreender e valorizar uma educação com significância e significado, que o ensinar e aprender, aqui na nossa escola, é princípio base de nossas ações.


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 17/08/2018

Nossa mente busca formas de escapar das tarefas que julgamos mais chatas ou mais cansativas e, com o tempo, se torna uma máquina de desculpas e, o pior, nós aceitamos essas desculpas! Precisamos ter força de vontade e determinação para conquistarmos os objetivos. A Escola Interamérica cotidianamente reflete com os estudantes sobre a importância de aproveitar a sala de aula como espaço de aprendizagem e entender a rotina de estudo em casa como necessária para a consolidação do conhecimento.

Seguem algumas dicas para ajudar no melhor aproveitamento do estudante, em casa e na escola, em relação às tarefas de casa e de estudante (essas dicas também são trabalhadas com os estudantes aqui na Escola Interamérica)


Ser estudante: uma postura para a vida

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 10/08/2018

Em Educação, fala-se muito de um futuro em que a habilidade de aprender será mais importante que todo o conteúdo que temos acumulado em nossas mentes; um futuro em que o mundo estará sempre em constante mudança e que as informações estarão mais acessíveis; um futuro em que novas profissões e desafios no mercado de trabalho surgirão a todo momento e onde a flexibilidade e capacidade de inovação serão cruciais para se ter sucesso em qualquer área da vida.

Engraçado... Esse futuro me parece muito com o presente, você não acha?