Comunicação

O que pretende a educação em valores?

Publicado em : 28/09/2018

O que pretende a educação em valores?

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O principal objetivo da educação em valores é ajudar os alunos a aprender a viver. Essa é a primeira tarefa dos seres humanos, porque, apesar de estarmos preparados para viver, precisamos adotar um modo de vida que seja sustentável e realmente queiramos para nós mesmos e para todos os que nos cercam. Temos de escolher como queremos viver.

Esse aprendizado é essencial porque a vida é algo único e valioso, porém ao mesmo tempo muito vulnerável, tanto no nível físico quanto no psicossocial. A fraqueza que se manifesta requer atenção especial para que se aprenda a vivê-la e respeitá-la. Mas a vida também é um espaço de cristalização de valores, uma realidade que toma forma à medida que o esforço humano a constrói em relação íntima com o entorno. Não é exagero dizer que a vida é uma obra de arte que cada um vai modelando. É necessário realizar um esforço educacional para construir uma vida de sucesso.

Mesmo quando temos dúvidas sobre como fazê-lo, aparentemente as decisões sobre a maneira de viver têm de apontar para a defesa da própria vida. Viver de modo que nenhuma vida seja prejudicada ou colocada em perigo. Viver assegurando a sobrevivência física e também a reprodução social, cultural e espiritual da vida. Viver garantindo no presente e no futuro uma otimização sustentável da vida. Viver, definitivamente, defendendo uma vida digna, que satisfaça as tarefas essenciais da existência humana: viver uma biografia correta, sem menosprezar os direitos dos demais. Felicidade e justiça, duas tarefas morais necessárias para assegurar uma vida ideal, as quais nem sempre é fácil saber com precisão em que consistem e nunca concluímos totalmente.

O que aprender para aprender a viver?

Para aprender a viver de maneira integral, sem se limitar a nenhuma dimensão particular, é preciso uma educação completa, que inclua todas as facetas humanas. Uma educação que considere os principais âmbitos da experiência humana e a aprendizagem ética que cada um deles supõe: aprender a ser, aprender a conviver, aprender a participar e aprender a habitar o mundo (Puig et al., 2005).

Aprender a ser. Este tópico se refere ao trabalho formativo que cada indivíduo realiza sobre si mesmo para se libertar de certas limitações, para construir uma forma apreciada de ser e alcançar o maior grau possível de autonomia e responsabilidade. Aprender a ser pressupõe um duplo trabalho: cada um deve construir a si mesmo da forma como deseja e utilizar a própria maneira de ser como uma ferramenta para tratar das questões propostas pela vida.

Aprender a conviver. Esta parte aponta a tarefa formativa que é preciso colocar em prática para superar a tendência à separação e ao isolamento entre as pessoas, para se recobrar do excesso de individualismo que valoriza tudo em função do próprio interesse, para abandonar as imagens objetivadoras do outro que o representam como uma coisa e convidam a usá-lo como tal, como se faz com as demais coisas. Aprender a conviver é uma tarefa educacional que visa libertar os indivíduos dessas limitações, ajudando-os a estabelecer vínculos baseados na abertura e na compreensão dos demais, bem como no compromisso com possíveis projetos em comum.

Aprender a participar. A terceira tarefa de aprender a viver está centrada no aprendizado da vida em comum. Esse processo consiste em fazer parte de uma coletividade, alcançando um bom nível de civismo, ou de respeito às normas e aos hábitos públicos, e sendo um cidadão ativo. Ou seja, ser capaz de exigir os direitos que lhe cabem e, ao mesmo tempo, sentir-se obrigado a cumprir os deveres e manifestar as virtudes cívicas necessárias para contribuir com a organização democrática da convivência. Portanto, o aprendizado da vida em comum é o esforço para ser um membro cívico e um cidadão ativo em uma sociedade democrática e participativa.

Aprender a habitar o mundo. O quarto e último ponto propõe um trabalho educacional que vai um pouco além do tópico anterior, visando implantar em cada jovem, de maneira reflexiva, uma ética universal de responsabilidade pelo presente e pelo futuro das pessoas e da Terra, uma ética de preocupação e cuidado com a humanidade e com a natureza, imprescindível em um momento em que a globalização se estende a todos os âmbitos da vida e a crise ecológico-climática propagou-se implacavelmente por todos os cantos do planeta.

E possível ensinar a viver?

Essa é uma dúvida muito antiga. Sócrates já havia formulado uma pergunta semelhante – “A virtude pode ser ensinada?” –, analisando-a exaustivamente e atingindo apenas um êxito parcial. Na realidade, não é claro que as virtudes possam ser ensinadas, pelo menos não da mesma maneira que matemática, geografia, desenho ou línguas.

Mas por que a possibilidade de ensinar a viver, do mesmo modo como ensinamos outros conhecimentos, é tão discutível? A princípio, por uma razão muito simples: não é possível que alguém adquira virtudes e valores por meio das explicações que lhe são oferecidas pelos adultos, nem por meio da simples memorização dessas explicações. Assim, com esse método podemos aprender a história da literatura, porém não podemos adquirir valores.

Ensinar a viver não é informar nem aprender conhecimentos. Ensinar a viver não é transmitir saberes, e sim um “saber fazer”, pois o que é requerido é o conjunto de habilidades, capacidades ou virtudes. E nada disso se aprende com discursos ou memória, mas por meio de observação, prática, exercício e reforço outorgados às pessoas. Ensinar a viver indica a formação de certas disposições e capacidades: um “saber fazer”. E a aquisição desse domínio torna o exercício e o treinamento imprescindíveis: a participação ativa em práticas de valor próprias de uma comunidade.

Ensinar a viver não transmite apenas um “saber fazer”, mas também a estima e a paixão por ele. Não se aprende a viver sem sentir o domínio das capacidades e das virtudes morais como algo particular e importante. Mas, apesar dessa relevância, o simples domínio instrumental não soluciona nem esgota a essência do aprender a viver. O domínio das capacidades e das competências não é suficiente para garantir uma vida digna. Há uma enorme diferença entre uma pessoa hábil e uma pessoa disposta a ter uma vida boa. As capacidades e disposições só se transformam em valores vitais quando alguém, ao aprendê-las, passa a apreciá-las e compromete-se a utilizá-las corretamente.

E como se transmite um “saber fazer” apreciável? A forma mais simples de apreciar um conhecimento é quando uma pessoa que você aprecia o ajuda a adquiri-lo. Em outras palavras, não é possível para um educador ajudar no aprendizado da vida se não consegue ser apreciado. Um professor pouco querido pode chegar a transmitir conhecimentos de modo correto, mas dificilmente conseguirá transmitir valores. O vínculo afetivo entre professor e aluno é imprescindível para influenciar o aprendizado da maneira de viver. Em síntese, um modo de vida só pode ser aprendido mediante a ajuda de pessoas apreciadas e a participação nas práticas de valor de uma comunidade.

 

Fonte: As sete competências básicas para educar em valores.

Xus Martín Garcia, Josep Maria Puig. SP. Summus, 2010.


Desenvolvimento e desafios: 2018 em revista.

Desenvolvimento e desafios: 2018 em revista.

 30/11/2018

“A escola é um universo que colide com outro universo, que é o aluno do novo século, que está conectado com diversas tendências, diversas formas de pensar e com muitos caminhos possíveis para trilhar.”**

Neste contexto, estamos sempre nos reconstruindo para atender e entender esses jovens com seu universo em expansão e que necessitam de um espaço cujo conhecimento seja agregador, envolvente, abrangente e humanizador. Sabemos da nossa responsabilidade em formar pensadores, mentes conectadas com seu tempo, pessoas relevantes, autênticas, éticas e desbravadoras.


Feira Cultural: espaço de comunicação e aprendizagem

Feira Cultural: espaço de comunicação e aprendizagem

 23/11/2018

É publico e notório que o ser humano aprende fazendo, e mais, aprende de fato quando ensina. Não é à toa que as licenciaturas têm em seus currículos momentos nos quais os(as) futuros(as) professores(as) devem preparar aulas, lecioná-las e posteriormente avaliar os resultados obtidos de maneira a qualificar o trabalho desenvolvido. No entanto, ainda assim nada substitui a experiência do fazer com o outro. De maneira análoga, dentre os objetivos da Feira Cultural, podemos listar a comunicação de resultados e o trabalho colaborativo, estas competências do século XXI, que na verdade são atemporais e não tem prazo de validade. Aprende-se muito quando se faz.


Adultos autênticos. Jovens seguros.

Adultos autênticos. Jovens seguros.

 09/11/2018

Os jovens, em processo de formação, buscam encontrar modelos nos adultos com quem convivem e, quase sempre inconscientemente, testam-nos para saber se podem confiar neles, se eles lhes trazem a segurança necessária para a sua formação. Se não encontram nesses, vão, invariavelmente, buscar essa segurança noutras opções, noutras possibilidades nem sempre recomendáveis, como temos visto frequentemente no dia a dia e pela imprensa.

Entretanto, cabe perguntar qual é aquele “modelo” de adulto que satisfaz a procura do jovem.


Lidando com um adolescente através da Comunicação Não Violenta (CNV)

Lidando com um adolescente através da Comunicação Não Violenta (CNV)

 26/10/2018

O adolescente, diferente da criança, pode não demonstrar facilmente aquilo que sente, nem falar de seus conflitos, tristezas e frustrações. E esse comportamento torna desafiador para a família compreender as emoções do jovem e lidar com elas, em especial quando não existe ou há pouco diálogo familiar.

Dentre inúmeras ferramentas ou meios de lidar com as emoções dos adolescentes, trouxemos aqui, para contribuir com a harmonia familiar, a COMUNICAÇÂO NÃO VIOLENTA (CNV), uma abordagem proposta pelo psicólogo americano Marshall B Rosenberg.


A Relação entre Pais e Filhos

A Relação entre Pais e Filhos

 19/10/2018

Segundo o psicoterapeuta e educador Leo Fraiman, autor do livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora? Como construir um projeto de vida juntos” (Editora Integrare), nem tudo que o adolescente faz é por birra ou pura rebeldia. E, antes de culpá-los por um relacionamento distante, os pais também devem notar os próprios erros.


Filhos não são presentes

Filhos não são presentes

 05/10/2018

Filhos não são presentes. São surpresas que a vida nos proporciona. Um presente, quando não gostamos, ou quando não nos serve, resolvemos de forma simples: trocamos, passamos pra frente, ou guardamos com a intenção de não magoar quem nos presenteou e juramos pra nós mesmos que, algum dia, usaremos. Já nossos filhos! Ah que bela e não tão fácil surpresa. Um filho pode nunca vir a ser o que tanto sonhamos. Não podemos simplesmente trocá-los ou fingirmos que não existem. Ainda bem! Eles não podem carregar todas as nossas expectativas, pois elas são só nossas.


O que te faz sentir (bem)?

O que te faz sentir (bem)?

 28/09/2018

A felicidade é uma questão relativa. Algumas pessoas vão dizer que estão nas coisas simples da vida; outras em conquistar seus objetivos, seus sonhos; outras pessoas vão dizer que ela está nas boas relações. Mas, mesmo sendo tão relativa, a felicidade é o objetivo de todos e é colocada, na maioria das vezes, em um local inalcançável, em um futuro distante ou ao final de uma jornada bem específica que só alcançamos depois de matar alguns monstros e desenvolver certas habilidades.


A ausência nas relações

A ausência nas relações

 24/09/2018

Atualmente, fala-se muito em fragilidade emocional, os desafios de educar na era digital, a desconexão entre os indivíduos e a superficialidade das relações. Tudo isso não é novidade, mas o que de fato poderia ser feito para mudar esse cenário?

A vulnerabilidade das relações é perceptível, inclusive numa das relações mais estruturantes que é entre pais e filhos. Sempre houve uma diferença conflituosa entre as gerações, diferença esta, salutar, uma vez que promovia discussões, desentendimentos, conversas, questionamentos, mas, com certeza, também muito aprendizado. Mais forte que isso é pensar que as discussões não aconteciam pelo Whatsapp ou pelas redes sociais, as pessoas não eram simplesmente bloqueadas como se assim os conflitos fossem resolvidos. Havia olho no olho, havia presença física.


O desafio de transmitir bons valores

O desafio de transmitir bons valores

 14/09/2018

As últimas décadas assistiram a enormes mudanças na família, especialmente no que se refere à educação dos filhos. Há pouco tempo, ser bom pai significava ensinar a respeitar os mais velhos, dar estudo, segurança etc.


Empatia a 7 bilhões de outros

Empatia a 7 bilhões de outros

 14/09/2018

Em vários atendimentos que faço aos estudantes, percebo que os conflitos trazidos poderiam ser resolvidos facilmente com um pouquinho de empatia ao próximo. Entendo que o nível de autonomia de um adolescente é diferente de um adulto. Porém a impressão que tenho é que lhes faltam o exercício do desenvolvimento da empatia.

O bacana para tal exercício é que independe de minha classe econômica, grau de inteligência, título que tenho, status social, cor, religião ou gênero; de que me adianta falar mais de uma língua, se não consigo dar bom-dia em um elevador? De que me adianta ser o melhor instrumentista se não consigo tocar a pessoa que está do meu lado precisando de ajuda? De que me adianta ter o título mais desejado na melhor universidade do mundo se não consigo ensinar o básico aos que estão a minha volta?