Comunicação

O desafio de transmitir bons valores

Publicado em : 27/10/2017

 

O desafio de transmitir bons valores

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Não basta mais os pais serem íntegros: é preciso deixar transparecer que ali não se aceita viver de outra forma

As últimas décadas assistiram a enormes mudanças na família, especialmente no que se refere à educação dos filhos. Há pouco tempo, ser bom pai significava ensinar a respeitar os mais velhos, dar estudo, segurança etc. — mas isso foi no tempo em que honestidade e integridade não estavam em discussão. Agora, o desafio é ensinar o filho a questionar, até a se opor, ao que muitos apresentam como norma na sociedade. Explico: a proibição legal de beber antes dos 18 é fartamente conhecida; mas quantos pais exigem que os filhos a cumpram? Sim, não falta hoje quem viole leis apenas por medo de destoar do que parece ser regra em seu grupo social! O que torna essencial ter convicção de seus valores, para não se embarcar no “mas todo mundo faz”. E, se para adultos é difícil se opor, imagine para jovens...

O maior desafio agora é persuadir os filhos de que ser íntegro não está “fora de moda”. Porque, ao longo da estrada, certamente eles se depararão com quem não apenas se gaba de conceitos canhestros, como os apresentam como “da hora”. O desafio para os pais se tornou não apenas viver de acordo com seus valores, mas deixar transparecer sua convicção inabalável neles. E mais: é preciso ter estratégias de convencimento que propiciem cooptar os filhos para o combate ao que avilta o homem moderno. Afinal nossas crianças estão, desde cedo, sob influência das múltiplas mídias, recebendo não apenas mensagens positivas, mas também as cínicas e antiéticas, que vêm na contramão do que lhes ensinam os pais em casa. O que fazer, então?

Nesse contexto desfavorável, o êxito ocorrerá muito mais pelo exemplo de vida que damos aos filhos, do que por explicações enfadonhas. Não basta mais os pais serem íntegros: é preciso deixar transparecer que ali não se aceita viver de outra forma! No momento em que tantas figuras de destaque se mostram indignas da confiança que a sociedade nelas depositou, o perigo maior para os jovens se torna a falta de confiança na sociedade e no futuro. É essa descrença que leva à depressão, à marginalidade e às drogas. Cabe à família a árdua tarefa de convencê-los de que há sim, quem viva de forma honesta, mesmo se o dia a dia parece mostrar o oposto.

As novas gerações precisam muito ter esta convicção — para que haja esperança. E, é vendo o exemplo dos pais no cotidiano de suas vidas, que, aos poucos, entendem que a possibilidade de um mundo melhor existe — mesmo havendo gente corrupta — porque o ser humano é imperfeito. Mas não terão como negar o que viveram com seus pais: quem cresce com pessoas dignas e justas convive também com a esperança.

Há quem diga que construir cidadãos hoje é impossível; são os que ignoram que isso se faz através de exemplos de vida. Pais íntegros encorajam os filhos a seguirem seus passos, não mentem, não mudam regras de acordo com conveniências, não adaptam nem transigem com seus valores, porque sabem que é a integridade parental que alicerça a identidade das novas gerações.

Tania Zagury é filósofa e escritora



Leia mais: https://oglobo.globo.com/opiniao/o-desafio-de-transmitir-bons-valores -


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Com sua presença, enfim.


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‘Pais-helicóptero’ pensam que estão fazendo o melhor, mas, na verdade, estão prejudicando as chances de sucesso dos filhos. Em particular, estão arruinando as chances de que os filhos consigam um emprego e consigam mantê-lo.


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Muitos pais se perguntam se estão conseguindo educar seus filhos para a vida, se eles saberão se posicionar, fazer escolhas... se serão pessoas do bem, corretas, honestas etc. Claro que essa é uma preocupação válida, afinal ninguém sabe o futuro, os caminhos que virão pela frente, mas podemos avaliar as possibilidades conforme o que “plantamos” no presente.

Quando meu filho mais velho saiu de casa para estudar em uma Universidade, no interior de São Paulo, tinha apenas 17 anos e eu fiquei extremamente feliz por sua conquista. Mas também fiquei assustada, pensando se ele tinha aprendido tudo o que era preciso para ser um cara legal e correto: “será que eu tinha ensinado o que era importante para ele? ”