Comunicação

Filhos não são presentes

Publicado em : 05/10/2018

 

Filhos não são presentes               

           

 

por Erika Santana* 

 

 

 

Conversando com algumas amigas mães esses dias, falávamos sobre o quanto nossos filhos são diferentes de tudo que imaginávamos que seriam.  Entre risadas e algumas constatações, simplesmente saiu da minha boca que filhos são filhos, se não fossem como queríamos seriam chamados presentes. Algumas me olharam surpresas, outras riram mais ainda. Mas essa frase ficou reverberando em minha mente e me levou a uma reflexão.

Filhos não são presentes. São surpresas que a vida nos proporciona. Um presente, quando não gostamos, ou quando não nos serve, resolvemos de forma simples: trocamos, passamos pra frente, ou guardamos com a intenção de não magoar quem nos presenteou e juramos pra nós mesmos que, algum dia, usaremos. Já nossos filhos! Ah que bela e não tão fácil surpresa. Um filho pode nunca vir a ser o que tanto sonhamos. Não podemos simplesmente trocá-los ou fingirmos que não existem. Ainda bem! Eles não podem carregar todas as nossas expectativas, pois elas são só nossas.

Cada filho é único e especial e tem a sua própria maneira de ser e de lidar com as situações. Cada um deles carrega em si seu próprio caminhar. Imagine a frustração e a tensão que podemos causar em uma criança que é cobrada desde cedo a corresponder às expectativas dos adultos para poder se sentir aceita e amada?

Você pode estar aí se perguntando, mas e aí, vou fechar os olhos e deixar meu filho ser e fazer o que quer? Não é este o ponto. Cabe a nós, pais, familiares, educadores, irmos além do que podemos enxergar. É preciso olhar para cada criança em formação e compreender que ali reside um ser ávido por amor, carinho, atenção e conhecimento. Precisamos reconhecer que podemos não ter o filho que sonhamos, mas temos o filho que temos, com todas suas particularidades que só ele tem. E é a partir daí que realmente começamos a compreender que, com paciência e dedicação, esse ser que tanto amamos pode nos render muitas surpresas boas com seu jeitinho único de ser.

Falo isso porque desde cedo fui muito cobrada para ser algo que eu nunca entendi muito bem o que queriam, parecia que não me encaixava ali. E vivi praticamente 24 anos de minha vida assim, tentando corresponder às expectativas de pais e avós. E posso falar, uma hora vem um turbilhão que remexe tudo dentro da gente e a gente tem que ter forças pra descobrir o que está acontecendo e ir atrás de nossos próprios sonhos. E teria sido bem menos desgastante se fosse de outro jeito.

Não reclamo. Este foi o meu caminho. Aprendi muito desse jeito também. Mas espero poder ser e continuar sendo um ponto de apoio para meus filhos. Espero poder aceitá-los como são e amá-los mesmo nos momentos mais difíceis.

E ainda bem que eu encontrei um apoio na escolha da escola do meu filho. Depois de muito quebrar a cabeça em Instituições com um olhar mais tradicionalista, meu filho mais velho, hoje com 11 anos, estuda em um local que compartilha minha visão, a Escola Interamérica. Cada criança que passa por ali é única, aceita e amada como ela é. Cada uma caminha do seu jeito para despertar para seu próprio potencial. Cada uma tem a liberdade de descobrir a si mesma. É tão gratificante  poder acompanhar esse crescimento, esse florescer... É uma das melhores surpresas que um filho pode nos proporcionar: viver esse caminhar em direção à formação de uma pessoa melhor para um mundo melhor.

Melhor que qualquer expectativa.

 

 

 

*Erika Santana é Administradora em Turismo, Educadora Ambiental, Auxiliar de Secretaria na Escola Interamérica - Unidade II, mãe do Thomaz e do Gael.


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O bacana para tal exercício é que independe de minha classe econômica, grau de inteligência, título que tenho, status social, cor, religião ou gênero; de que me adianta falar mais de uma língua, se não consigo dar bom-dia em um elevador? De que me adianta ser o melhor instrumentista se não consigo tocar a pessoa que está do meu lado precisando de ajuda? De que me adianta ter o título mais desejado na melhor universidade do mundo se não consigo ensinar o básico aos que estão a minha volta?