Comunicação

Escola como espaço de formar, dialogar e TRANS... FOR... MAR(SE)

Publicado em : 26/04/2019

Escola como espaço de formar, dialogar e TRANS... FOR... MAR(SE)

Pessoas são pessoas, através de pessoas... Eu sou porque NÓS somos, e desde que Nós somos, portanto, Eu sou. (Nelson Mandela)

Texto: Vera Lúcia Wohlgemuth Lobo

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O ser humano se constitui na relação com outros seres humanos. Vivemos em sociedade, na sociedade somos formados e nela, também, podemos atuar e transformar.

Para que o ser humano possa tomar posse de si e tornar-se protagonista do seu processo de enxergar, sentir, pensar e atuar na sociedade é preciso que os agentes que fazem parte da formação desse indivíduo se unam para que, por meio de muito diálogo, consigam afinar os tons e as vozes daqueles que pensam e agem junto a esses indivíduos que estão se constituindo.

Educar filhos nos tempos atuais não é uma tarefa fácil. É comum sentirmos medos e anseios. Temos muitas dúvidas e algumas certezas, sentimo-nos inseguros por inúmeras razões, e seguros por outras. E é neste curso de águas calmas e, por vezes revoltas, que nossas crenças e nosso imaginário sobre a função de educar navegam.

Família e escola são duas instituições que se responsabilizam pela formação e educação de crianças e jovens. São instituições que se complementam e podem se potencializar de forma muito positiva, se juntas exercitarem o diálogo.

Para nós, da Interamérica, dialogar é uma ferramenta muito importante que nos estimula a pensar melhor – uma maneira interessante de buscar a verdade, seja ela relativa ou consensual. De certa forma, somos completados em nossa singularidade pela singularidade do outro. Abrimos as comportas da alma para o fluxo da comunhão e somos banhados por experiências comunitárias que enriquecem nossa maneira de viver – o que não seria possível de outra forma.

Dialogar é relacionar-se. E relacionar-se é ouvir, falar, estar, ser, fazer… e muito mais. No momento em que decidimos dialogar, decidimos viver mais.

Vivemos tempos em que as pessoas reais estão se distanciando e as relações se dão de forma virtual. Informar, conversar, divulgar, eleger são ações que podem ser realizadas por detrás de uma máquina. E se precisamos do olhar do outro e das vozes dos outros para a nossa constituição, como e quem está nos formando?

Diante desse cenário, outras questões foram permeando as nossas reflexões internas em busca de trilhar novas rotas. Uma dessas perguntas que nos fizemos foi: como resgatar o diálogo e a reflexão sobre temas tão importantes para a constituição dos indivíduos no sentido de desenvolvermos seres humanos mais críticos, reflexivos e cuidadosos?

Frente ao bombardeio de informações que nos atingem, a necessidade de expormos nossas comidas, viagens, alegrias e algumas pequenas tristezas em momentos de luto, e também, ao repasse de conversas distorcidas por meio de aplicativos como WhatsApp, podemos inferir que a sociedade atual está sujeita a perder ou a não desenvolver habilidades necessárias para debater opiniões antagônicas e aceitar que as mesmas sejam verdadeiras a partir de determinados pontos de vista, e que possam coexistir de forma respeitosa e construtiva.

Considerando todas as nossas inquietações frente às transformações pelas quais a sociedade tem vivenciado, decidimos há dois anos organizar, com os estudantes de 1º a 9º Anos, rodas de conversas para que os mesmos exercitassem a autorreflexão, afim de aprofundar o conhecimento que cada um tem de si e de seus sentimentos, para que, a partir daí, consigam conviver bem com os outros do grupo, compreendendo e respeitando os sentimentos alheios. Os conflitos que surgem no grupo são ferramentas potentes para promover reflexões. Além disso, utilizamos histórias, dinâmicas e vivências com diferentes materiais artísticos para que os estudantes possam representar sentimentos e emoções que vivenciam e precisam compreender.

Erich Fromm, em seu livro Ética e Psicanálise, escreveu: “Ser capaz de prestar atenção em si mesmo é pré-requisito para ter a capacidade de prestar atenção aos outros; sentir-se bem consigo mesmo é a condição necessária para relacionar-se com os outros.” Considerando esse e outros tantos autores que estudam sobre o desenvolvimento socioafetivo, abordando a importância do desenvolvimento do autoconhecimento para um processo de aprendizagem e convivência saudável, decidimos investir um tempo pedagógico para promover o desenvolvimento das inteligências intra e interpessoais. Aprender a lidar com toda a gama de sentimentos que nos habitam e que minam as nossas energias frente às dificuldades, às frustrações, nos trazendo tantos desconfortos e nos impedindo de persistir e de nos esforçarmos para aprender melhor e conviver melhor é tarefa árdua e precisa ser exercitada com disciplina e frequência.

Ampliamos esse espaço de diálogo e escuta empática com nossas grandes parceiras: as famílias. Organizamos em nosso calendário anual momentos para sentarmos e praticarmos o diálogo e a escuta por meio das rodas reflexivas, buscamos aproximá-las da mesma dinâmica realizada com os estudantes. O intuito dessas rodas é o de promover o debate, a troca de experiências, a reflexão com embasamento teórico em prol de uma educação que desenvolva o respeito mútuo, a gentileza e a responsabilidade pelas ações.

Nesse mês de abril, realizamos rodas de conversas sobre sexualidade, medos, jogos virtuais, redes e YouTube. Nesse momento a Orientação Educacional, iniciou a conversa com a leitura de um texto na busca por repertoriar as reflexões e as trocas de experiências. Todos aprendemos, pois, a dúvida de um era também de outros. Algumas famílias nos mostraram como lidam, e assim, puderam ajudar outras a ampliarem o repertório de possibilidades de ação, por meio da fala, do diálogo e da partilha das angústias vividas entre os pares, encontrando, nesse processo conforto, respostas e abertura para novas reflexões.

Acreditamos que essa é uma fórmula potente para a construção de um mundo melhor, que se pauta na formação do indivíduo pela leitura, pela pesquisa, pelo diálogo, a percepção e o conhecimento sobre nossos sentimentos e emoções numa grande comunidade aprendente: a comunidade da Escola Interamérica!


Novos olhares para o mau comportamento

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 17/05/2019

Estudar é uma prática constante entre os educadores na nossa escola. A cada demanda, contexto, anseios e problematizações buscamos nos estudos, na literatura e nos especialistas de cada área do conhecimento, o respaldo teórico para nortear e refletir sobre nossas práticas.


Saber lidar com os próprios sentimentos é uma lição que deve ser ensinada às crianças

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 17/05/2019

O grande problema na sociedade em que vivemos é que tanto crianças quanto adultos nem sempre encontram acolhimento para suas emoções. Sentimentos considerados negativos, como raiva, medo, ciúme e a própria tristeza, parecem não ter espaço em um mundo onde as pessoas não podem desperdiçar o tempo e há um imperativo para ser feliz e bem-resolvido o tempo todo. Além disso, a questão de gênero naturalmente impõe alguns padrões sobre como meninos e meninas devem lidar com seus sentimentos. Enquanto eles são encorajados a reagir com a agressividade, elas são incentivadas ao choro e à melancolia, mas sem reação. E isso começa cedo. Uma pesquisa publicada no periódico Behavioral Neuroscience, da Associação Americana de Psicologia, constatou que pais de meninas respondem mais às demandas emocionais das filhas, quando elas choram ou chamam por eles, do que os pais de meninos fazem com seus filhos. Possivelmente, porque há uma tolerância maior aos sentimentos delas.


A importância da construção dos valores para gerar transformação

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 10/05/2019

O desenvolvimento socioemocional tem sido cada vez mais relevante nos debates internacionais sobre Educação. Parece que, finalmente, o mundo percebeu que o foco da escolarização em habilidades instrumentais e conhecimentos acadêmicos não o livrou das escolhas egoístas que levam à degradação social e ambiental.


A família e a educação emocional - Três dicas fundamentais para a preparação emocional dos filhos

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 10/05/2019

Quando os pais deixam de criticar e/ou menosprezar e/ou desviar os filhos do que sentem, eles são capazes de se abrir e a emoção por trás do comportamento fica clara, esse movimento ajuda os pais a compreenderem o que de fato está acontecendo, ao mesmo tempo em que ajuda os filhos a confiarem mais nos pais e a vê-los como aliados - alguém com quem possam contar e pedir ajuda quando necessário.


Famílias: Urgências e Turbulências

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 03/05/2019

No mês em que comemoramos o Dia Internacional da Família, busquei um texto que pudesse colaborar com as mais variadas famílias com as quais convivemos, a partir dos anseios, medos e inseguranças que compartilham conosco.


O poder transformador da empatia nas relações humanas

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 12/04/2019

A habilidade de aceitar e conviver bem com a diversidade nos torna mais empáticos e tolerantes. É o que vai nos permitir entrar numa sala de reuniões de uma organização transnacional para uma apresentação a ser feita e transmitir a mensagem que queremos de forma adequada para cada membro da plateia. Ser empático não se restringe às pessoas que conhecemos, mas principalmente com os desconhecidos ou mesmo com personalidades antagônicas. Este é um grande esforço que demanda sensibilidade, inteligência emocional e vontade, para se colocar no lugar do outro e experimentar uma nova perspectiva. Esta é uma habilidade que pode ser aprendida, mas que precisa ser diariamente cultivada.


It is up to you!

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 05/04/2019

Ao longo de minha vida profissional como professora de inglês e como coordenadora pedagógica, tive que responder a uma série de perguntas de pais de alunos. Uma das perguntas mais frequentes continua sendo: “Qual a idade ideal para que eu coloque meu(minha) filho(a) em uma aula de inglês?”.


Vídeo: A tragédia silenciosa que afeta os filhos de hoje (e o que fazer com isso)

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 30/03/2019

Em um mundo extremamente conectado, sofremos, ironicamente, da desconexão doentia. Estamos desconectados de nós mesmos, das nossas necessidades, dos nossos corpos, das nossas emoções, da Natureza, uns dos outros. E precisamos fazer algo a respeito!

O vídeo acima é um verdadeiro convite à reflexão... Assista-o em família, exercite regras e combinados, dedique tempo a isso...


Projeto Conviver e Jogos Ativos: aulas complementares ao  desenvolvimento socioemocional

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 22/03/2019

Desenvolver as habilidades socioemocionais não é tarefa fácil para aqueles que se propõem a educar, principalmente a família e a escola. Os desafios do séc. XXI são muitos, ainda mais em um contexto histórico-social contraditório em valores, escolhas e atitudes.


Respostas simples para questões complexas

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 22/03/2019

O contato com a natureza, de acordo com ele, pode ressignificar a vida de adultos e crianças. O meio ambiente faz com que nossas crianças superestimuladas, possam ter suas energias dissipadas e reequilibradas. O convívio com árvores, gramados, parques, enfim, com o “verde” faz muito bem para a saúde física e mental.