Comunicação

Empreendedorismo Cognitivo

Publicado em : 03/08/2018

 

Empreendedorismo Cognitivo

 

 

por André Mols* 

 

O conceito de empreendedorismo, ao contrário do que parece, está inserido no DNA do ser humano. O motivo é muito simples – desde tempos anteriores ao tempo, sempre foi necessário inovar para atender as necessidades básicas de subsistência e sobrevivência e para tentar entender os mistérios do universo. Neste aspecto, nada mudou na história da humanidade, portanto. Descobrir como preservar ou produzir fogo, entender como são gerados os bebês, acreditar que sempre nascerá um novo dia, reconhecer o papel do cérebro no processo de cognição, viajar pelo espaço sideral, foram e são motivos para buscar o novo, aquilo que não é conhecido. No enfrentamento destes desafios, a humanidade buscou inovar, buscou empreender. Ferramentas seriam, são e serão criadas todos os dias para nos aproximar de nossos objetivos. Processos são revisados, adaptados, alterados, abandonados e retomados visando o desenvolvimento.

O ser humano, portanto, é um empreendedor nato, quer ele tenha consciência disso ou não. Para além desta afirmação, é inequívoca a conclusão de que, para ser empreendedor, é necessário pensar fora da caixinha, vislumbrar o que não é visto, usar ferramentas não convencionais. Portanto, para ser empreendedor de fato, o ser humano precisa de todo o conhecimento que puder acessar. A fragmentação deste em ramos ou áreas, no entanto, impõe um enorme risco de desaparecimento de sua essência, e tira de nós a possibilidade de olharmos com lentes diferentes os desafios que enfrentamos. Afinal de contas, a aventura da vida humana não pode ser restringida a verdades absolutas, sob pena de estacionarmos ao lado da estrada do desenvolvimento. Porém, somente ter acesso ao conhecimento não resolve a questão. O que importa realmente é saber o que fazer com ele.

No ambiente escolar, o desafio de promover o empreendedorismo ultrapassa a fronteira de um componente curricular, de uma série ou de um momento isolado no ano letivo. Na Escola Interamérica buscamos oportunizar situações que requerem dos(as) estudantes este tipo de posicionamento, de reflexão, de questionamento, de ação e análise de resultados, de regulação e autorregulação. Ampliando as ações pedagógicas que culminam no componente curricular “Empreendedorismo”, estudado ao longo 9º Ano, este estímulo é posto de maneira intrínseca em nossa escola e tem recebido grande destaque na programação curricular da Escola Ampliada -Jardim 2 ao 4º Ano (2019) e Jardim 2 ao 6º Ano (2020). Nela, os(as) estudantes têm a oportunidade, desde o início do processo de escolarização, de serem protagonistas de sua construção de conhecimento, aplicando constantemente, de maneira prática, suas descobertas em face do mundo, de fato, empreendendo cognitivamente.

Resolver problemas do mundo real, repensar estratégias, colaborar, comunicar ideias, tudo isso de maneira transdisciplinar, é uma das principais linhas mestras deste projeto maior. Naturalmente, os resultados empíricos não são deixados de lado. No entanto, estes são amealhados de maneira natural, com grande sucesso, desprovidos de tensão ou angústia. Afinal, conhecer e aprender são ações prazerosas e salutares. Recentemente li um livro[1] que fala muito do prazer em aprender, do poder das analogias e do trabalho transdisciplinar, comprovando que a música pode eficazmente, contribuir para o entendimento da estrutura do universo na perspectiva cosmológica. Este é um ótimo exemplo que ilustra a urgência da ampliação do olhar pedagógico para além do óbvio.

Seria mesmo profundamente contraditório pensar o mundo sem cores, ou pior, monocromaticamente. Da mesma maneira, é impensável um mundo desprovido de música, que nos acompanha também desde o início de nossa caminhada pelo planeta. Entender o conhecimento e seu processo de desenvolvimento desta maneira também é restringir o poder empreendedor do ser humano.

Assim, nosso papel na Escola Interamérica é ser para os(as) estudantes espaço seguro de desenvolvimento – Sentir prazer em estudar e aprender – e empreender, a partir disso, é o cerne de nosso DNA.

Junte-se a nós!

 

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[1]ALEXANDER, S. The jazz of physics. Basic Books: New York, 2016.

 

 

*André Mols é é Coordenador Pedagógico Geral, Coordenador das Áreas de Línguas e Arte na Escola Interamérica - Unidade II e Assessor Pedagógico da Escola Ampliada na Escola Interamérica - Unidade I.


Desenvolvimento e desafios: 2018 em revista.

Desenvolvimento e desafios: 2018 em revista.

 30/11/2018

“A escola é um universo que colide com outro universo, que é o aluno do novo século, que está conectado com diversas tendências, diversas formas de pensar e com muitos caminhos possíveis para trilhar.”**

Neste contexto, estamos sempre nos reconstruindo para atender e entender esses jovens com seu universo em expansão e que necessitam de um espaço cujo conhecimento seja agregador, envolvente, abrangente e humanizador. Sabemos da nossa responsabilidade em formar pensadores, mentes conectadas com seu tempo, pessoas relevantes, autênticas, éticas e desbravadoras.


Feira Cultural: espaço de comunicação e aprendizagem

Feira Cultural: espaço de comunicação e aprendizagem

 23/11/2018

É publico e notório que o ser humano aprende fazendo, e mais, aprende de fato quando ensina. Não é à toa que as licenciaturas têm em seus currículos momentos nos quais os(as) futuros(as) professores(as) devem preparar aulas, lecioná-las e posteriormente avaliar os resultados obtidos de maneira a qualificar o trabalho desenvolvido. No entanto, ainda assim nada substitui a experiência do fazer com o outro. De maneira análoga, dentre os objetivos da Feira Cultural, podemos listar a comunicação de resultados e o trabalho colaborativo, estas competências do século XXI, que na verdade são atemporais e não tem prazo de validade. Aprende-se muito quando se faz.


Adultos autênticos. Jovens seguros.

Adultos autênticos. Jovens seguros.

 09/11/2018

Os jovens, em processo de formação, buscam encontrar modelos nos adultos com quem convivem e, quase sempre inconscientemente, testam-nos para saber se podem confiar neles, se eles lhes trazem a segurança necessária para a sua formação. Se não encontram nesses, vão, invariavelmente, buscar essa segurança noutras opções, noutras possibilidades nem sempre recomendáveis, como temos visto frequentemente no dia a dia e pela imprensa.

Entretanto, cabe perguntar qual é aquele “modelo” de adulto que satisfaz a procura do jovem.


Lidando com um adolescente através da Comunicação Não Violenta (CNV)

Lidando com um adolescente através da Comunicação Não Violenta (CNV)

 26/10/2018

O adolescente, diferente da criança, pode não demonstrar facilmente aquilo que sente, nem falar de seus conflitos, tristezas e frustrações. E esse comportamento torna desafiador para a família compreender as emoções do jovem e lidar com elas, em especial quando não existe ou há pouco diálogo familiar.

Dentre inúmeras ferramentas ou meios de lidar com as emoções dos adolescentes, trouxemos aqui, para contribuir com a harmonia familiar, a COMUNICAÇÂO NÃO VIOLENTA (CNV), uma abordagem proposta pelo psicólogo americano Marshall B Rosenberg.


A Relação entre Pais e Filhos

A Relação entre Pais e Filhos

 19/10/2018

Segundo o psicoterapeuta e educador Leo Fraiman, autor do livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora? Como construir um projeto de vida juntos” (Editora Integrare), nem tudo que o adolescente faz é por birra ou pura rebeldia. E, antes de culpá-los por um relacionamento distante, os pais também devem notar os próprios erros.


Filhos não são presentes

Filhos não são presentes

 05/10/2018

Filhos não são presentes. São surpresas que a vida nos proporciona. Um presente, quando não gostamos, ou quando não nos serve, resolvemos de forma simples: trocamos, passamos pra frente, ou guardamos com a intenção de não magoar quem nos presenteou e juramos pra nós mesmos que, algum dia, usaremos. Já nossos filhos! Ah que bela e não tão fácil surpresa. Um filho pode nunca vir a ser o que tanto sonhamos. Não podemos simplesmente trocá-los ou fingirmos que não existem. Ainda bem! Eles não podem carregar todas as nossas expectativas, pois elas são só nossas.


O que pretende a educação em valores?

O que pretende a educação em valores?

 28/09/2018

O principal objetivo da educação em valores é ajudar os alunos a aprender a viver. Essa é a primeira tarefa dos seres humanos, porque, apesar de estarmos preparados para viver, precisamos adotar um modo de vida que seja sustentável


O que te faz sentir (bem)?

O que te faz sentir (bem)?

 28/09/2018

A felicidade é uma questão relativa. Algumas pessoas vão dizer que estão nas coisas simples da vida; outras em conquistar seus objetivos, seus sonhos; outras pessoas vão dizer que ela está nas boas relações. Mas, mesmo sendo tão relativa, a felicidade é o objetivo de todos e é colocada, na maioria das vezes, em um local inalcançável, em um futuro distante ou ao final de uma jornada bem específica que só alcançamos depois de matar alguns monstros e desenvolver certas habilidades.


A ausência nas relações

A ausência nas relações

 24/09/2018

Atualmente, fala-se muito em fragilidade emocional, os desafios de educar na era digital, a desconexão entre os indivíduos e a superficialidade das relações. Tudo isso não é novidade, mas o que de fato poderia ser feito para mudar esse cenário?

A vulnerabilidade das relações é perceptível, inclusive numa das relações mais estruturantes que é entre pais e filhos. Sempre houve uma diferença conflituosa entre as gerações, diferença esta, salutar, uma vez que promovia discussões, desentendimentos, conversas, questionamentos, mas, com certeza, também muito aprendizado. Mais forte que isso é pensar que as discussões não aconteciam pelo Whatsapp ou pelas redes sociais, as pessoas não eram simplesmente bloqueadas como se assim os conflitos fossem resolvidos. Havia olho no olho, havia presença física.


O desafio de transmitir bons valores

O desafio de transmitir bons valores

 14/09/2018

As últimas décadas assistiram a enormes mudanças na família, especialmente no que se refere à educação dos filhos. Há pouco tempo, ser bom pai significava ensinar a respeitar os mais velhos, dar estudo, segurança etc.