Comunicação

Empatia a 7 bilhões de outros

Publicado em : 14/09/2018

 

Empatia a 7 bilhões de outros                

           

 

por Felipe Souto* 

 

 

Poderia simplesmente postar o vídeo acima para exemplificar o quanto somos diferentes, afinal existem aproximadamente 7 bilhões de outros espalhados pelo mundo. Mas o interesse aqui é a reflexão sobre a necessidade de respeito, tolerância, aceitação às diferenças (empatia).

Empatia significa “a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela”. Quando vejo esse significado fico pensando o quanto é difícil me colocar no lugar de alguém tão diferente de mim (uns mais do que outros).

Mas quer uma boa notícia? Recentemente foi publicado na revista Translational Psychiatry¹ um estudo que aponta que fatores genéticos contribuem na empatia dos indivíduos. O que isso quer dizer? Que “fomos programados” para ser empáticos. Parte da empatia que temos está nos nossos genes como aponta o estudo. É claro que a outra parte é desenvolvida ao longo da vida, um exercício diário.

Fátima Holanda, em um de seus textos², diz que algumas perguntas devem ser feitas aos filhos para o desenvolvimento da empatia:

  • Como você acha que o outro deve estar se sentindo com a forma como você agiu?
  • Como você se sentiria se a outra pessoa tivesse feito isso com você?
  • O colega parece estar chateado, você saberia dizer o motivo?
  • Em quais pontos vocês concordam e em quais discordam?
  • O que você poderia fazer a respeito disso?

Em vários atendimentos que faço aos estudantes, percebo que os conflitos trazidos poderiam ser resolvidos facilmente com um pouquinho de empatia ao próximo. Entendo que o nível de autonomia de um adolescente é diferente de um adulto. Porém a impressão que tenho é que lhes faltam o exercício do desenvolvimento da empatia.

O bacana para tal exercício é que independe de minha classe econômica, grau de inteligência, título que tenho, status social, cor, religião ou gênero; de que me adianta falar mais de uma língua, se não consigo dar bom-dia em um elevador? De que me adianta ser o melhor instrumentista se não consigo tocar a pessoa que está do meu lado precisando de ajuda? De que me adianta ter o título mais desejado na melhor universidade do mundo se não consigo ensinar o básico aos que estão a minha volta?

Lembre-se que esse exercício é diário. Comece com um bom-dia ao porteiro da escola, um gesto de gentileza no trânsito; diga sim para uma opinião diferente da sua em uma discussão; ajude seu filho na tarefa de casa quando necessário. São através de gestos simples que podemos desenvolver a empatia, em nós e em nossos filhos.

Concluo te convidando a ser empático; se colocar no lugar do outro. Se coloque no lugar do seu professor, do seu filho, dos seus pais, do seu próximo. Seja humilde e entenda que o outro precisa ser compreendido; nunca exija o que o outro não pode dar. Volte no vídeo acima e reveja-o com um novo olhar: imagine que existem 7 bilhões de outros, com tantas diferenças, porém com tantas coisas em comum! Procure no próximo algo em comum e tenho certeza que encontrará. Eu encontrei algo: todos nós “fomos programados” a ser empáticos!

 

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1. Warrier V, et al. Genome-wide analyses of self-reported empathy: correlations with autism, schizophrenia, and anorexia nervosa; Translational Psychiatryvolume 8, Article number: 35 (2018)

2. O desenvolvimento da empatia - Uma reflexão para quem educa. https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/o-desenvolvimento-da-empatia---uma-reflexao-para-quem-educa/73347 Acesso em 14 set. 2018.

*Felipe Souto é Orientador Educacional do 7º Ano, Biológo e Mestre em Genética e Biologia Molecular.


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