Comunicação

Emoções e relações na escola: estratégias para o autoconhecimento

Publicado em : 09/03/2018

Emoções e relações na escola: estratégias para o autoconhecimento

Texto de Eloá Azzena Parada

Sabe-se que todo SER HUMANO traz consigo a história da sua família contada pelos seus ancestrais, os costumes, a cultura, as maneiras de lidar com os outros, consigo, com o ambiente, a vida e as emoções decorrentes desse processo.

Cada SER HUMANO é uma só vida, um só indivíduo independentemente de nossas raízes e ancestralidades, possuímos emoções comuns, básicas a qualquer pessoa. No entanto, experimentadas de diferentes formas, a partir do contexto em que vivemos.

Rodrigo Fonseca, especialista em Inteligência Emocional e presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBie), explica que a “emoção”, é aquilo que nos move, que movimenta nossa vida. “Uma emoção é um conjunto de respostas químicas e neurais baseadas nas memórias emocionais, e surgem quando o cérebro recebe um estímulo externo. O sentimento, por sua vez, é uma resposta à emoção e diz respeito a como a pessoa se sente diante daquela emoção.”

As emoções, portanto, dão origem aos sentimentos, mas ambos estão extremamente relacionados, pois da mesma forma que uma emoção pode despertar um sentimento, um sentimento é capaz de gerar mais emoções da mesma espécie, sejam elas, positivas ou negativas. As emoções são inconscientes, enquanto os sentimentos são o “juízo” sobre essas emoções. É fundamental termos consciência de como reagimos e nos sentimos diante de cada emoção..

Assim, todas as emoções, tal como o medo, raiva, tristeza e alegria fazem parte de nós e contribuem diretamente para a nossa sobrevivência. Como disse o querido Marcelo Nagao (8 anos), estudante do quarto ano C, “As emoções são como sanduíche: nós somos o pão e as emoções são o recheio”.

Desse modo, o ambiente em que vivemos e crescemos é de suma importância para nosso desenvolvimento moral e a formação de nossas estruturas emocionais, cognitivas e físicas.

Estudos apontam que os contextos hostis, de violência e abuso moral, como nos casos de guerra, são determinantes no desenvolvimento de transtornos psíquicos em crianças e, consequentemente, nos futuros adultos.

Para além das situações extremas e lamentáveis de guerra, não podemos desconsiderar que é na vida cotidiana que entramos em contato com nossas questões interiores e construímos nossas características e personalidades. Assim, considera-se relevante as discussões, reflexões e autorreflexões das emoções, capacitando-nos a entrar em contato conosco, a identificar e assimilar o que sentimos ao experimentar o mundo, o outro e nossas relações.

Quanto maior nossa habilidade de reconhecer o que acontece conosco (interna e externamente), maior a nossa consciência em relação ao agir e às atitudes que imprimimos. Também é maior nossa capacidade de se colocar no lugar do outro, nossa empatia.

Educar as emoções significa nos tornarmos cada vez mais aptos a lidar com nossos desejos, angústias, frustrações e medos.

As inteligências emocionais e cognitivas caminham paralelamente e, as competências da inteligência emocional, como autoconhecimento, autogestão, consciência social e administração de relacionamentos, podem contribuir para o desenvolvimento humanitário, permitindo ao indivíduo a busca pelo equilíbrio da razão e emoção.

É sob esta perspectiva que a orientação educacional vem desenvolvendo, junto a diversos segmentos da escola, como o corpo docente e a equipe do Integral, atividades ligadas à inteligência emocional, que promovam a reflexão e autorreflexão.

Por meio de rodas reflexivas, atividades planejadas e assembleias trabalhamos com o processo de metacognição (refletir sobre si e seu processo), o desenvolvimento do falar e argumentar (cura pela palavra, o dito torna-se consciente e traz a possibilidade da reflexão) e o desenvolvimento da habilidade de ouvir.

Parte-se da ideia de que as crianças têm o direito de falar e serem ouvidas quanto a tudo aquilo que as inquieta, intriga, gera dúvidas, desconfortos ou desconhecimentos. De acordo com Gutman (2016), supor que as crianças não compreendem, ou que não tem por que saber “das coisas dos adultos” é um costume arraigado. No entanto, as situações vivenciadas por nossas crianças cotidianamente, são permeadas e recheadas de “coisas de adulto”.

Um exemplo de tal cenário são os dados obtidos com uma roda reflexiva realizada numa sala de quinto ano. Nessa roda, organizamos uma discussão em torno de duas questões: “O que é normal para você” e “O que te espanta? ”

As situações e fatos que espantam nossas crianças são, todas, situações sociais e reais, observadas por elas através de noticiários, telejornais e pelo acesso à internet. São cenários de violências e abusos, tais como, o terrorismo, as guerras, os debates conflituosos na política e na vida, a violência no trânsito, as letras e qualidade da música na atualidade, o preconceito, a desigualdade social.

Quais emoções nosso contexto histórico tem despertado em nossos jovens e crianças? De que forma podemos ajudá-los a entender a si mesmos e o mundo sem julgamentos e preconceitos?

Medo e tristeza têm se revelado fortes emoções na vida de nossos adolescentes e estão cada vez mais frequentes na vida deles.

Não há problema nenhum em termos medo ou tristeza, ao contrário, são emoções que nos ajudam a lidar com as adversidades. No entanto, é necessário saber identificá-las e reconhecer até onde podemos ou devemos senti-las, até onde elas nos paralisam diante dos desafios da vida.

Parte-se do princípio de que a verdade, enquanto conhecimento objetivo, deve nortear nossas discussões e que os fatos devam ser observados sob a perspectiva de uma lente de aumento, capaz de abarcar a maior quantidade de variáveis, sem preconceitos e julgamentos, pois a Inteligência Emocional pode ser desenvolvida, treinada e aprimorada por meio da construção de novos hábitos, novas formas de pensar e se comportar.


A ausência nas relações

A ausência nas relações

 24/09/2018

Atualmente, fala-se muito em fragilidade emocional, os desafios de educar na era digital, a desconexão entre os indivíduos e a superficialidade das relações. Tudo isso não é novidade, mas o que de fato poderia ser feito para mudar esse cenário?

A vulnerabilidade das relações é perceptível, inclusive numa das relações mais estruturantes que é entre pais e filhos. Sempre houve uma diferença conflituosa entre as gerações, diferença esta, salutar, uma vez que promovia discussões, desentendimentos, conversas, questionamentos, mas, com certeza, também muito aprendizado. Mais forte que isso é pensar que as discussões não aconteciam pelo Whatsapp ou pelas redes sociais, as pessoas não eram simplesmente bloqueadas como se assim os conflitos fossem resolvidos. Havia olho no olho, havia presença física.


O desafio de transmitir bons valores

O desafio de transmitir bons valores

 14/09/2018

As últimas décadas assistiram a enormes mudanças na família, especialmente no que se refere à educação dos filhos. Há pouco tempo, ser bom pai significava ensinar a respeitar os mais velhos, dar estudo, segurança etc.


Empatia a 7 bilhões de outros

Empatia a 7 bilhões de outros

 14/09/2018

Em vários atendimentos que faço aos estudantes, percebo que os conflitos trazidos poderiam ser resolvidos facilmente com um pouquinho de empatia ao próximo. Entendo que o nível de autonomia de um adolescente é diferente de um adulto. Porém a impressão que tenho é que lhes faltam o exercício do desenvolvimento da empatia.

O bacana para tal exercício é que independe de minha classe econômica, grau de inteligência, título que tenho, status social, cor, religião ou gênero; de que me adianta falar mais de uma língua, se não consigo dar bom-dia em um elevador? De que me adianta ser o melhor instrumentista se não consigo tocar a pessoa que está do meu lado precisando de ajuda? De que me adianta ter o título mais desejado na melhor universidade do mundo se não consigo ensinar o básico aos que estão a minha volta?


Estudar, pesquisar e comunicar: três competências fundamentais no cotidiano escolar

Estudar, pesquisar e comunicar: três competências fundamentais no cotidiano escolar

 03/09/2018

E é por compreender e valorizar uma educação com significância e significado, que o ensinar e aprender, aqui na nossa escola, é princípio base de nossas ações.


Aprendizagem baseada em projetos: Como contribui para a formação de um estudante competente no campo acadêmico e sócio-emocional?

Aprendizagem baseada em projetos: Como contribui para a formação de um estudante competente no campo acadêmico e sócio-emocional?

 27/08/2018

APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS: Como contribui para a formação de um estudante competente no campo acadêmico e sócio-emocional? Vera Lúcia Wohlgemuth Lôbo _________________________________________________________________________________ Ao pensar a educação é preciso refletir [...]


Que orientações e dicas de estudos são feitas aos nossos estudantes?

Que orientações e dicas de estudos são feitas aos nossos estudantes?

 17/08/2018

Nossa mente busca formas de escapar das tarefas que julgamos mais chatas ou mais cansativas e, com o tempo, se torna uma máquina de desculpas e, o pior, nós aceitamos essas desculpas! Precisamos ter força de vontade e determinação para conquistarmos os objetivos. A Escola Interamérica cotidianamente reflete com os estudantes sobre a importância de aproveitar a sala de aula como espaço de aprendizagem e entender a rotina de estudo em casa como necessária para a consolidação do conhecimento.

Seguem algumas dicas para ajudar no melhor aproveitamento do estudante, em casa e na escola, em relação às tarefas de casa e de estudante (essas dicas também são trabalhadas com os estudantes aqui na Escola Interamérica)


Ser estudante: uma postura para a vida

Ser estudante: uma postura para a vida

 10/08/2018

Em Educação, fala-se muito de um futuro em que a habilidade de aprender será mais importante que todo o conteúdo que temos acumulado em nossas mentes; um futuro em que o mundo estará sempre em constante mudança e que as informações estarão mais acessíveis; um futuro em que novas profissões e desafios no mercado de trabalho surgirão a todo momento e onde a flexibilidade e capacidade de inovação serão cruciais para se ter sucesso em qualquer área da vida.

Engraçado... Esse futuro me parece muito com o presente, você não acha?


Empreendedorismo Cognitivo

Empreendedorismo Cognitivo

 03/08/2018

O conceito de empreendedorismo, ao contrário do que parece, está inserido no DNA do ser humano. O motivo é muito simples – desde tempos anteriores ao tempo, sempre foi necessário inovar para atender as necessidades básicas de subsistência e sobrevivência e para tentar entender os mistérios do universo. Neste aspecto, nada mudou na história da humanidade, portanto. Descobrir como preservar ou produzir fogo, entender como são gerados os bebês, acreditar que sempre nascerá um novo dia, reconhecer o papel do cérebro no processo de cognição, viajar pelo espaço sideral, foram e são motivos para buscar o novo, aquilo que não é conhecido. No enfrentamento destes desafios, a humanidade buscou inovar, buscou empreender. Ferramentas seriam, são e serão criadas todos os dias para nos aproximar de nossos objetivos. Processos são revisados, adaptados, alterados, abandonados e retomados visando o desenvolvimento.


Formação continuada na Escola Interamérica – aprender contínuo para atuar com competência                            

Formação continuada na Escola Interamérica – aprender contínuo para atuar com competência                            

 29/06/2018

À escola cabe hoje mais do que trabalhar com informações e conceitos, propor atitudes, formação de valores e práticas inovadoras, por isto faz-se necessário repensar o papel do docente e a sua atuação. As demandas sociais das novas gerações exigem práticas e desafios inúmeros.

O professor, ciente de que sua prática é cada vez mais complexa devido às mudanças de paradigmas impostas pela sociedade, se vê em meio a tantas perguntas:


Estudante como protagonista e os benefícios para a aprendizagem

Estudante como protagonista e os benefícios para a aprendizagem

 21/06/2018

A tradicional ideia de que o conhecimento em sala de aula está centrado no professor ou no estudante tem dado espaço para uma outra forma de pensar a educação.

Agora vemos o estudante como protagonista de seu processo de aprendizagem, em uma relação de troca com o professor, em uma via de mão dupla em que ambos aprendem e se desenvolvem.