Comunicação

Educação para a Paz

Publicado em : 18/05/2018

Educação para a Paz

_____________________________________________________________________________________

Respeitar a vida, rejeitar a violência, ser generoso, ouvir para compreender, preservar o planeta, redescobrir a solidariedade

Educar para a paz envolve a geração de oportunidades para comunhão de significados e afetos. Assim como o agricultor deve arar, afofar o terreno, deixá-lo rico em nutrientes e irrigá-lo, devemos criar um ambiente propício e acolhedor para que as sementes da paz possam germinar. Isto envolve criatividade, abertura para promover uma qualidade nova nos espaços de ensino/aprendizagem a fim de transformá-los em locais de humanização e sensibilidade.

E como descobrir o prazer de aprender nos espaços educativos? Sem prescindir da lógica e da razão, devemos criar uma atmosfera de liberdade e alegria. O humor, por exemplo, é um dos fatores importantes para abrir as portas do conhecimento e da curiosidade. Tal descoberta é um desafio, pois historicamente a educação, privilegiando o pensamento e a inteligência, desprezou as experiências de afeto e desafeto, alegria e tristeza, aceitação e desprezo que ficaram confinadas na memória corporal. Assim provocou-se uma grande ruptura, tratando-se os educandos como simples recipientes de conhecimento.

O primeiro passo está em permitir e incentivar a expansão do movimento corporal dos aprendizes, geralmente aprisionados na rigidez dos bancos escolares, nas cadeiras dos computadores, nos assentos dos ônibus, dos carros. Se a educação for uma atividade prazerosa, propicia confiança e curiosidade, aceita novos desafios, constrói a paz.

Para gerar atitudes inovadoras devemos ter a coragem de romper padrões e criar novas formas de Ser, Conviver, Conhecer e Fazer. Ensinar a criatividade e fazê-lo criativamente são caminhos fundamentais da educação para a paz. Uma pessoa saudável e autoconfiante permite a expressão e incentiva a investigação do novo, do possível e desejável, mantendo uma atitude aberta para o encontro com a diversidade.

Aprender a transitar pelo “universo das diferenças” e levar os aprendizes conosco nessa viagem exige reconhecer a existência dos preconceitos e abrir mão deles, pois persistem arraigados, provocando injustiças sociais, econômicas e guerras, apesar da diversidade ser a raiz da vida e da cultura. Aliás, quando lemos os jornais ou ouvimos o noticiário, temos a impressão que um recurso natural espontâneo, “O Amor”, está à beira da extinção.

Crianças de rua, presídios abarrotados, filas intermináveis nos hospitais. Dentro deste mundo carente, é uma pena que a educação muitas vezes se esqueça que temos um desejo inato de contato e de nos Manifesto 2000 O Manifesto 2000 por uma Cultura de Paz e Não-Violência foi esboçado por um grupo de laureados do prêmio Nobel da Paz. Milhões de pessoas em todo o mundo assinaram esse manifesto e se comprometeram a cumprir os seis pontos descritos acima, agindo no espírito da cultura de paz dentro de suas famílias, em seu trabalho, em suas cidades. Tornaram-se, assim, mensageiros da tolerância, da solidariedade e do diálogo. A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o período de 2001 a 2010 a “Década Internacional da Cultura de Paz e Não-Violência para as Crianças do Mundo”. Respeitar a vida Rejeitar a violência Ser generoso Ouvir para compreender Preservar o planeta Redescobrir a solidariedade pazcomosefaz_REVISADO_PANTONE:Cartilha-5set03 November/28/08 3:19 PM Page 20 21 tornar significativos para os outros.

Esta falta de afeto é ainda mais dolorosa nos setores vulneráveis da nossa sociedade: entre as crianças, os jovens e os idosos. A vida parece vazia quando nossos corações estão fechados. educar para a paz pede o exercício da compaixão. Nosso meio ambiente tem sido muito agredido, da mesma maneira estão adoecidas a interioridade humana e as relações entre as pessoas. A educação para a paz preocupa-se em minimizar essas dores. Não dispensa o rigor do pensamento acadêmico, mas sem dúvida, o transcende.

A educação para a paz é fundamental para resolver conflitos de forma madura e saudável, visto que eles fazem parte do cotidiano de todas as pessoas, em todos os tempos e lugares. É uma oportunidade de desenvolvermos conceitos positivos nas partes envolvidas, através da compreensão do ponto de vista do outro. É também uma oportunidade de darmos suporte emocional aos envolvidos, demonstrando o valor da confiança nas pessoas e nos processos que levam à paz.

Em nossas escolas, grande parte das vezes, os estudantes acumulam saberes de seus professores e realizam uma troca de informações. Quando a disciplina ou o curso termina os participantes esquecem uns dos outros, e a vida continua como se nada tivesse acontecido. Na proposta da educação para a paz devemos seguir um outro caminho: não importa a idade de seus educandos, o que vale é criar laços de afeto e confiança mútua. Nós, seres humanos, somos totalmente dependentes do afeto.

Desde o primeiro instante de vida precisamos do calor e do cuidado que nos conforta e legitima. Para nos desenvolver de maneira saudável, precisamos da estrutura e da confiança dos adultos. Entretanto, a Grande Mãe é o planeta Terra que, vista do espaço, é uma pérola azul navegando na imensidão do cosmos, um útero de criação, que abriga uma vastidão de maravilhas naturais. E todos os seres humanos alimentam-se, inteiramente dependentes, dos recursos do planeta: da água, da terra e de uma variedade incontável de produtos provenientes dela.

Neste século, não podemos prescindir das questões relativas ao bem-estar da sociedade e da natureza. O fato é que estamos indo longe demais, ao servir a interesses imediatos de uma cultura que cultiva a violência e a acumulação em detrimento do bem-estar social e ecológico.

Para concluir, não podemos nos esquecer que as palavras têm um poder muito grande, talvez seja por isso que todas as religiões do mundo recitam preces, mantras, cântigos sagrados. Os poetas e sábios de todos os tempos nos iluminaram com versos que nos acompanham por toda a vida, no transcorrer de gerações.

Na educação, na família, na sociedade, as palavras amigas nada custam a quem as profere e só enriquecem quem as recebe. Afinal, quem não gosta de ouvir expressões como: “você fez um bom trabalho”; “você é capaz”, “sentimos falta de você”. A educação para a paz está, em sua essência, comprometida com um futuro de bem-estar para a humanidade, e com o meio ambiente. Não se pode mudar os erros do passado, mas podemos construir um futuro saudável, tão cheio de criatividade quanto a própria vida. E, talvez, a descoberta mais valiosa a ser feita pelo ser humano neste século seja que a palavra “NÓS” é a mais importante de todas.

Laura Gorresio Roizman É mãe da Renata e da Lílian, casada com Gilson. Na Associação Palas Athena coordenou, entre outros, o Programa para Formação de Educadores em Valores Universais, Ética e Cidadania. Doutora em Saúde Pública


"O papel da escola no desenvolvimento socioemocional do indivíduo" e "A grande engrenagem"

 15/06/2018

Essa semana, a Escola Interamérica compartilha dois interessantes textos, escritos por duas de nossas Orientadoras Educacionais, sobre a escola e o desenvolvimento socioemocional de crianças e adolescentes.


Cortella: ‘A escola passou a ser vista como um espaço de salvação’

Cortella: ‘A escola passou a ser vista como um espaço de salvação’

 08/06/2018

O filósofo, educador e professor Mario Sergio Cortella alerta que as famílias estão confundindo escolarização com educação; para ele, pais devem retomar seu papel


A importância da parceria família e escola

A importância da parceria família e escola

 25/05/2018

A família e a escola formam uma equipe. É fundamental que ambas sigam os mesmos princípios e critérios, bem como a mesma direção em relação aos objetivos que desejam atingir. Ressalta-se que, mesmo tendo objetivos em comum, cada uma deve fazer sua parte para que se atinja o caminho do sucesso, que visa conduzir crianças e jovens a um futuro melhor.


A adolescência está mais complexa

A adolescência está mais complexa

 19/05/2018

Há até pouco tempo, sabíamos com clareza conceituar a adolescência: um período de transformações pessoais, sociais, emocionais, psicológicas e, principalmente, de concepção a respeito de si mesmo e da vida, que resultava em mudanças de comportamento. A puberdade –as alterações físicas dessa etapa– antecedia a adolescência e a precipitava.

E agora? Primeiramente, essa etapa da vida foi prolongada: não termina mais perto dos 20 anos, com a entrada na maturidade adulta. Hoje, podemos considerar a adolescência até mais ou menos os 25 anos, e olhe lá! Seu início também foi antecipado: não depende mais da puberdade, pois pode se iniciar bem antes.


Mãe

Mãe

 11/05/2018

Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também. E um polvo. Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho.


Ausência da Arte

Ausência da Arte

 11/05/2018

Anos atrás, lecionando literatura no Ensino Médio, afirmei em sala de aula que a arte é a representação da realidade a partir da ótica do artista. Hoje, muitos anos depois, continuo entendendo a arte desta maneira, como uma ferramenta que transporta sentimentos e traduz sob múltiplas formas a experiência humana na Terra. Assim como o estudo da Filosofia, da História e dos diferentes sistemas linguísticos, contribui de maneira real para o entendimento, mesmo que pequeno, do homem no mundo.


Autoestima: como construir o valor pessoal de um filho

Autoestima: como construir o valor pessoal de um filho

 27/04/2018

Embora os pais estejam cada vez mais conscientes do valor de uma boa autoestima para uma vida adulta bem-sucedida e feliz, e de estarem cada vez mais informados quanto à importância do seu próprio papel no processo de desenvolvimento dos seus filhos, os adolescentes de hoje em dia parecem cada vez mais frágeis e inseguros.


A angústia do adolescente: Um problema nosso ou de todos nós?

A angústia do adolescente: Um problema nosso ou de todos nós?

 27/04/2018

Nas últimas semanas, fomos surpreendidos pelas tristes notícias referentes a casos de suicídio entre adolescentes em São Paulo. Por compartilharmos de uma mesma dor e mediante a toda repercussão nas mídias sociais, uma questão sempre emerge nos fazendo pensar: “O que tanto angustia os adolescentes hoje?” Não é uma resposta simples diante da velocidade das mudanças que vivemos em nossa sociedade, porém, isso não nos exime de fazer esse questionamento e refletir sobre possíveis respostas. Essa preocupação perpassa a todos aqueles que de uma forma ou de outra se relacionam e participam da formação desses jovens: família, amigos, escola, etc.


“Gentileza gera gentileza”

“Gentileza gera gentileza”

 20/04/2018

O medo do desamor e de errarmos, como pais, têm nos deixados paralisados, inseguros e sem saber o que fazer.


O que gritos e castigos dos pais e professores podem fazer com o cérebro das crianças

O que gritos e castigos dos pais e professores podem fazer com o cérebro das crianças

 20/04/2018

Isabela Minatel explica como os cérebros das crianças reagem à gritos, brigas e castigos e como praticar uma educação que libere os neurotransmissores da felicidade.