Comunicação

Dez dicas para lidar com mudanças de comportamento dos adolescentes

Publicado em : 24/11/2017

 

“Dez dicas para lidar com mudanças de comportamento dos adolescentes”

 

Leo Fraiman*

 

1. Ver os filhos crescerem pode não ser algo fácil para os pais, que estavam acostumados a serem a grande referência e os protetores deles. Perceber que podem não precisar mais tanto de acompanhamento pode ser algo doloroso. Os pais participativos, que desejam que os filhos passem de maneira saudável por essa fase, precisam lembrar que a solidificação da autonomia, que deve ser construída desde cedo, é fundamental nessa faixa etária. Os filhos precisam começar a ver e entender, na prática, as consequências de suas escolhas e o impacto delas nos outros e no ambiente. Antes de resolver algo por eles, procure devolver a responsabilidade com questionamentos como: “E o que você pretende fazer? Como pode lidar da melhor forma com isso?”.

2. Ao sentirem um bom vínculo com seus pais, uma relação na qual se sentem seguros e acolhidos, os filhos desenvolvem atitudes mais positivas e proativas. Isso porque eles se sentem estimulados para seguir em frente e se desenvolver rumo à autonomia. Filhos de pais participativos sabem que se acertarem, seus pais comemorarão com eles e se errarem terão com quem contar.

3. A forte tendência à experimentação é uma das características da adolescência que mais causa espanto e preocupação para os pais. As novas conexões cerebrais levam ao desejo de experimentar novas situações e, com relação à sexualidade, as células espelho, agora em maior quantidade, levam à vontade de conhecer melhor outras pessoas, especialmente aquelas que são diferentes. Isso conduz os jovens à aproximação entre os sexos e ao apetite por experiências de intenso prazer. Explique, dê informações e não tenha medo de ser tachado de chato ou careta. Faz parte. Mas sem machismo, ok?

4. A impulsividade é outra característica comum aos adolescentes e, assim como a necessidade de experimentação, precisa de cuidados. Na adolescência, não temos o córtex órbito-frontal plenamente desenvolvido, assim como a capacidade de análise, julgamento e decisão totalmente consistente. Por isso, os pais podem e devem acompanhar de perto enquanto o próprio jovem começa a conhecer seus próprios limites, lembrando sempre que algumas decisões finais devem ser dos adultos, que são os responsáveis legais, especialmente às que dizem respeito à saúde, segurança e educação. Quando o jovem demonstra comportamentos que prejudicam sua vida (ou a de outros), bem como seus ambientes, isso precisa ser sinalizado para que não se repita. Se estiver sentindo que perdeu autoridade, procure um psicólogo para se fortalecer.

5. Além das novas conexões cerebrais e mudanças hormonais, também o corpo passa por transformações sem precedentes. A puberdade, que costuma começar para os meninos aos 13 anos e para as meninas a partir da menarca (primeira menstruação), que pode acontecer a partir dos 10 anos geralmente, traz consigo muitas novidades: pelos, odores, partes do corpo em crescimento, etc. É muita informação nova para o adolescente, que tenta entender tanto quem é como pessoa quanto compreender e aceitar esse novo corpo e imagem que estão sendo formados. O papel dos pais aqui é não negligenciar estas mudanças e também buscar se informar para ajudar os filhos com fatos e não com opiniões. Evite apelidos preconceituosos ou “brincadeiras” que exponham ou possam ofender.

6. A partir do modo como se percebe determinada fase de vida, é que tende-se a reagir a ela. Assim como quem pensa que “envelhecer é ruim”, e por isso já vai abandonando sua vida, seus interesses e cuidados pessoais com o tempo... a adolescência, como todas as demais etapas de vida, é um momento único, cheio de desafios e oportunidades. Esta vai ser uma fase menos agradável se negarmos as características naturais desta etapa da vida, considerando-as “chatas”, “aborrescentes” ou “indesejáveis”. Quando se tem uma família por perto que oferece apoio e afeto consegue-se passar por esta etapa com um crescimento maior e melhor em muitos sentidos.

7. Outro comportamento que costuma ser alvo de queixas por parte dos pais é a tendência à desvitalização, desinteresse ou desmotivação diante de uma ou mais área da vida sem causa aparente. No entanto, o famoso “tédio” dos adolescentes tem uma explicação científica: nessa etapa da vida, ocorre a perda de receptores de dopamina, que é um neurotransmissor relacionado ao prazer e à satisfação. Uma sensação quase oposta à motivação pela experimentação, que pode deixar os jovens confusos em relação aos próprios sentimentos. Quando é normal deixar que os filhos fiquem no quarto, “no seu canto” e quando é hora de se preocupar? Diante do abandono e da falta de cuidados com a saúde, a educação e a sociabilidade, são momentos que pedirão atenção e mudanças de atitude.

8. Entre os ganhos dessa fase tão rica estão a facilidade na capacidade de adquirir conhecimentos, a valorização do convívio interpessoal, a revisão das verdades pessoais, o aumento da memória corporal e da coordenação motora. Os bons hábitos, assim como os hábitos nocivos, podem se instalar pela repetição. Insista em estar perto e orientar para que eles se esforcem em terminar o que começaram.

9. É importante, como sinalizado, que os pais estejam por perto, mesmo quando os jovens já parecem se achar “donos dos seus narizes”. Entretanto, quando falamos de escolha profissional, os pais e familiares precisam entender seus papéis de copilotos. Afinal, a decisão do futuro profissional é uma das primeiras escolhas da vida adulta e o adolescente precisa começar a pegar a própria vida nas mãos e ir atrás de seus objetivos e da carreira que pensa que mais tem a ver com sua verdade e seus valores. Os pais podem ajudar buscando orientações profissionais e informações para momentos de troca e crescimento conjunto.

10. Os pais não são 100% responsáveis por tudo o que acontece na adolescência de seus filhos, mas são 100% responsáveis pela parcela que lhes cabe. Por isso é tão importante que não sejam negligentes, omissos ou autoritários, pois isso pode fazer com que os filhos corram mais riscos desnecessários, se tornem inconsequentes e irresponsáveis ou mesmo dependentes, não acreditando na própria capacidade de enfrentar desafios.


*O professor Leo Fraiman é psicoterapeuta e atende a adolescentes e adultos desde 1992.

Fonte: Texto original disponível em <http://g1.globo.com/como-sera/quadros/adolescentes/noticia/2017/03/especialista-da-dicas-sobre-mudancas-do-comportamento-na-adolescencia.html> Acesso em 24 nov. 2017.


 


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Com sua presença, enfim.


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Quando meu filho mais velho saiu de casa para estudar em uma Universidade, no interior de São Paulo, tinha apenas 17 anos e eu fiquei extremamente feliz por sua conquista. Mas também fiquei assustada, pensando se ele tinha aprendido tudo o que era preciso para ser um cara legal e correto: “será que eu tinha ensinado o que era importante para ele? ”