Comunicação

Autoestima: como construir o valor pessoal de um filho

Publicado em : 27/04/2018

Autoestima: como construir o valor pessoal de um filho

Marcia Fervienza

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Embora os pais estejam cada vez mais conscientes do valor de uma boa autoestima para uma vida adulta bem-sucedida e feliz, e de estarem cada vez mais informados quanto à importância do seu próprio papel no processo de desenvolvimento dos seus filhos, os adolescentes de hoje em dia parecem cada vez mais frágeis e inseguros. Vemos exemplos disso no aumento do uso de drogas, na idade cada vez mais tardia em que saem da casa dos pais, e dão início à própria vida adulta e nas dificuldades que enfrentam em seus primeiros anos de independência.

Ao perceberem a adolescência estendida em que vivem seus filhos, muitas vezes até os 30 anos, os pais ficam confusos, sem entender onde erraram. Provavelmente de uma geração na qual prevaleciam as críticas e valorizava-se a obediência incondicional, os pais destes jovens adultos fizeram tudo diferente e, no entanto, o resultado ficou bem aquém do esperado. O que aconteceu?

Elogios podem distorcer confiança dos filhos

O psicanalista e professor da University College London Stephen Grosz tenta nos dar uma ideia a respeito. Com base em suas mais de 50.000 horas de experiência como psicanalista, ele observa que o elogio excessivo pode ser prejudicial para o sentido de valor e confiança pessoal. Ele diz que, hoje em dia, elogiamos nossos filhos demais por acreditarmos que assim se constrói a autoestima, que dará lugar a maior autoconfiança e, consequentemente, a grandes criações na vida adulta. Mas pesquisas atuais sugerem o contrário. Na última década, vários estudos sobre autoestima indicam que o foco e o elogio da inteligência de uma criança, por exemplo, pode ser prejudicial na escola, levando inclusive a um desempenho ruim.

Como? Embora pareça positiva, a crença de ser especial (superdotada, inteligente, maravilhosa, etc.) pode funcionar como uma barreira para que a criança se aventure além dos limites estabelecidos por seu "talento", levando-a a desistir mais facilmente diante de situações desconhecidas ou desafiadoras. Isto porque, ao crer-se especial, a criança pode inconscientemente visualizar-se no ápice dos seus próprios recursos.

Assim, ao receber um novo desafio, ela aplicará os mesmos recursos usados anteriormente, quando foi elogiada, para resolver o problema. Se não conseguir, assumirá que a solução de tal problema é impossível. E quando outras crianças "não especiais" conseguirem solucionar o desafio que lhe havia sido apresentado e que ela não conseguiu, sua autoestima sofrerá um golpe do qual será difícil se recuperar. Afinal, se ela é tão especial e inteligente, como a criança ao lado conseguiu solucionar o problema e ela não? Na falta de provas concretas dos resultados geniais a ela atribuídos, ela passará a desconfiar dos futuros elogios e da sua própria capacidade de criação e execução.

Aplausos reforçam autoimagem idealizada

Grosz cita o famoso estudo de 1998 da psicóloga Carol Dweck e Claudia Mueller para ajudar a explicar este dilema. Neste estudo, dividiu-se 128 crianças de 10 e 11 anos em dois grupos. Todas tinham que resolver problemas matemáticos, mas um grupo foi elogiado por seu intelecto ("Você fez muito bem, você é muito inteligente") enquanto o outro foi elogiado pelo seu esforço ("Você fez muito bem, se nota que você se dedicou a solução deste problema").

Após a solução do primeiro problema, as crianças receberam um desafio mais complexo. Observou-se que aqueles que anteriormente foram elogiados por seu trabalho duro abordaram a dificuldade com muito mais resiliência e disposição, e tentaram soluções diferentes sempre que chegavam a um beco sem saída, até encontrarem o resultado final.

Em contrapartida, naqueles que haviam sido elogiados por sua inteligência prevaleceu a ansiedade com o próprio resultado e o medo do fracasso. Com isso, usaram os recursos anteriores, aplicados para solucionar o primeiro problema (pelo qual foram elogiados) e, quando não conseguiram, desistiram de buscar uma solução.

Na última parte do experimento, os pesquisadores pediram para escreverem uma carta a crianças de outra escola contando sobre sua experiência. Algumas das que foram elogiadas por sua inteligência mentiram a respeito de suas notas e resultados, tentando manter para si mesma e para os demais a autoimagem idealizada construída pelo elogio.

Frutos de uma cultura que priorizava a disciplina e a obediência, onde pouco afeto e contato físico eram dedicados às crianças, os pais de hoje em dia estão imbuídos do desejo de educar os próprios filhos de maneira mais amorosa, atenta e humana. Mas, infelizmente, a abordagem diferenciada não está contribuindo para o senso de autoestima dos pequenos. Ao se esforçarem para ser diferentes dos próprios pais, eles na verdade estão fazendo a mesma coisa: distribuindo elogios vazios do mesmo modo que a geração anterior distribuía críticas impensadas. Com isso, o elogio de hoje expressa o mesmo sentimento que a crítica impensada de ontem: indiferença.

Mas se elogio não constrói autoestima, o que constrói?

O erro está em acreditar que a falta de elogios prejudica a autoestima e que seu oposto, a presença de elogios, a constrói. O que de fato constrói o valor pessoal de uma criança é sentir-se vista.

Para sustentar esta ideia, Grosz conta que a professora de leitura terapêutica Charlotte Stiglitz, de 80 anos, mãe do economista ganhador do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, nunca elogiou uma criança por fazer o que deveria ser capaz de fazer em sua idade. Ela elogiava quando faziam algo realmente difícil, como compartilhar um brinquedo ou demonstrar paciência, e sempre agradecia quando o faziam.

O método de Charlotte consistia, então, em prestar atenção no que a criança fazia e em como ela fazia.

Ele conta que uma vez observou um menino de quatro anos que estava desenhando. Ele parou e, talvez à espera de elogios, olhou para ela, que sorriu e disse: "Há muito azul no seu desenho". Ele respondeu: "É a lagoa perto da casa da minha avó, há uma ponte." Ele então pegou um lápis de cera marrom e disse: "Eu vou lhe mostrar". Sem pressa, ela conversou com a criança e a escutou com atenção. Ela estava presente.

É a presença que ajuda a construir a confiança da criança, porque lhe mostra que ela é vista, que tem importância e é digna dos pensamentos e da atenção do observador. Por outro lado, quando o outro está fisicamente presente, mas ausente em pensamentos e sentimentos, é comunicado à criança que aquilo que ela está fazendo é inútil, e que ela tem valor somente pelos resultados que produz, não por si mesma. Seu mundo, em si, não importa. Com isso, ao ver-se diante da possibilidade de falhar na entrega de um resultado, esta é dominada por ansiedade e medo de falhar. Afinal, ela só é vista quando produz algo excepcional. Seu valor reside naquilo que ela faz, não naquilo que ela é.

Estar presente faz diferença

Para exemplificar, voltemos à história da professora. Quando o menino lhe mostrou seu desenho, a reação mais fácil teria sido "nossa, que lindo, como você desenha bem!". Assim, um elogio fácil, vazio, com um sorriso, a liberaria da sua demanda por atenção para que ela seguisse em sua atividade. No entanto, ela preferiu aproveitar o momento para interagir com o menino. Ela observou o seu desenho e comentou o que lhe chamou a atenção, dando-lhe a oportunidade de contar mais a respeito. Diante do seu interesse, ele começou a explicar e a compartilhar um pedaço do seu mundo com ela. A decisão da professora prolongou e aprofundou uma interação que, do contrário, teria se limitado a menos de um minuto: ela teria feito o elogio e ele teria retornado à sua atividade. Com o interesse da professora, no entanto, o menino se sentiu visto e importante, que é o que constrói a autoestima.

Outros exemplos incluem:

  • Observar características de personalidade que não são comumente vistas naquela idade e fazer comentários positivos a respeito. Por exemplo: "incrível a sua generosidade com amigos que estão atravessando dificuldades na escola" para um menino de 12 anos, que tira parte da sua tarde para ajudar amigos com nota baixa em seus deveres de casa;
  • Observar o esforço colocado em realizar tarefas, ainda que o resultado final não tenha sido o esperado. Exemplo: a sua filha de 14 anos chega do colégio e decide passar pano no chão da sala porque nota que a mesma está suja, sem que você tenha que pedir. Talvez depois você tenha que refazer o trabalho, mas a sua iniciativa merece reconhecimento;
  • Destacar posturas éticas e morais sempre que estas ocorrerem, acentuando o valor daquilo que o adolescente é, demonstrando sua admiração por ele.

Manter-se mental e emocionalmente presente quando estamos com nossos filhos, com amigos, no trabalho ou com familiares nem sempre é fácil. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, tantos estímulos que nos chegam de tantos lugares, tantas demandas sobre a gente, que hoje o Mindfulness está em seu ápice para nos ensinar a estarmos sempre no momento presente. A certeza de que alguém está focado na gente é mais relevante que elogios. Não é isso que nos faz sentir importantes e amados? É assim que adquirimos a autoconfiança necessária para enfrentar o mundo.

Se nós, adultos, precisamos tanto disso, imagine as nossas crianças? Talvez, se elas receberem isso desde agora de seus pais e familiares, trarão dentro de si autoestima suficiente para se autonutrir quando o mundo externo deixar a desejar.


Desenvolvimento e desafios: 2018 em revista.

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 30/11/2018

“A escola é um universo que colide com outro universo, que é o aluno do novo século, que está conectado com diversas tendências, diversas formas de pensar e com muitos caminhos possíveis para trilhar.”**

Neste contexto, estamos sempre nos reconstruindo para atender e entender esses jovens com seu universo em expansão e que necessitam de um espaço cujo conhecimento seja agregador, envolvente, abrangente e humanizador. Sabemos da nossa responsabilidade em formar pensadores, mentes conectadas com seu tempo, pessoas relevantes, autênticas, éticas e desbravadoras.


Feira Cultural: espaço de comunicação e aprendizagem

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 23/11/2018

É publico e notório que o ser humano aprende fazendo, e mais, aprende de fato quando ensina. Não é à toa que as licenciaturas têm em seus currículos momentos nos quais os(as) futuros(as) professores(as) devem preparar aulas, lecioná-las e posteriormente avaliar os resultados obtidos de maneira a qualificar o trabalho desenvolvido. No entanto, ainda assim nada substitui a experiência do fazer com o outro. De maneira análoga, dentre os objetivos da Feira Cultural, podemos listar a comunicação de resultados e o trabalho colaborativo, estas competências do século XXI, que na verdade são atemporais e não tem prazo de validade. Aprende-se muito quando se faz.


Adultos autênticos. Jovens seguros.

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 09/11/2018

Os jovens, em processo de formação, buscam encontrar modelos nos adultos com quem convivem e, quase sempre inconscientemente, testam-nos para saber se podem confiar neles, se eles lhes trazem a segurança necessária para a sua formação. Se não encontram nesses, vão, invariavelmente, buscar essa segurança noutras opções, noutras possibilidades nem sempre recomendáveis, como temos visto frequentemente no dia a dia e pela imprensa.

Entretanto, cabe perguntar qual é aquele “modelo” de adulto que satisfaz a procura do jovem.


Lidando com um adolescente através da Comunicação Não Violenta (CNV)

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 26/10/2018

O adolescente, diferente da criança, pode não demonstrar facilmente aquilo que sente, nem falar de seus conflitos, tristezas e frustrações. E esse comportamento torna desafiador para a família compreender as emoções do jovem e lidar com elas, em especial quando não existe ou há pouco diálogo familiar.

Dentre inúmeras ferramentas ou meios de lidar com as emoções dos adolescentes, trouxemos aqui, para contribuir com a harmonia familiar, a COMUNICAÇÂO NÃO VIOLENTA (CNV), uma abordagem proposta pelo psicólogo americano Marshall B Rosenberg.


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 19/10/2018

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A vulnerabilidade das relações é perceptível, inclusive numa das relações mais estruturantes que é entre pais e filhos. Sempre houve uma diferença conflituosa entre as gerações, diferença esta, salutar, uma vez que promovia discussões, desentendimentos, conversas, questionamentos, mas, com certeza, também muito aprendizado. Mais forte que isso é pensar que as discussões não aconteciam pelo Whatsapp ou pelas redes sociais, as pessoas não eram simplesmente bloqueadas como se assim os conflitos fossem resolvidos. Havia olho no olho, havia presença física.


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As últimas décadas assistiram a enormes mudanças na família, especialmente no que se refere à educação dos filhos. Há pouco tempo, ser bom pai significava ensinar a respeitar os mais velhos, dar estudo, segurança etc.