Comunicação

Ausência de limites na criança ou transtorno de conduta

Publicado em : 09/02/2018

Ausência de limites da criança ou transtorno de conduta

adaptado* do texto de Rosangela Neto de Albuquerque**

 

A discussão acerca dos limites da criança está cada vez mais em evidência, pois surgem as novas estruturas familiares e, com elas, os novos padrões estabelecidos na Educação. Pais sem tempo para os filhos muitas vezes pensam em compensar sua ausência com recompensas, até para suavizar sua “culpa”. A dificuldade de dizer não é muito significativa nas famílias contemporâneas, assim a permissividade torna-se cada vez mais frequente, comprometendo a educação das crianças e promovendo um comportamento pouco aceitável na convivência social. Certamente, esse comportamento poderá comprometer o desenvolvimento da criança no processo de aprendizagem, uma vez que a escola impõe limites mais adequados para a socialização do grupo. Conhecer regras e normas sociais é fundamental na construção da identidade e autonomia da criança, e a ausência desse paradigma poderá levar a uma difícil relação de convívio social.


Com características mais frequentes na infância, o transtorno de conduta é uma espécie de personalidade antissocial bem observada na juventude; apesar de se iniciar na infância, não se pode dar diagnóstico de personalidade patológica para menores. Na juventude, ainda na adolescência (antes dos 18 anos), com a personalidade em desenvolvimento, é comum observarmos comportamentos desviantes como mentir ou matar aulas, que podem ser classificados como desvio de comportamento, e não como transtorno de conduta. Esses comportamentos acontecem até pela possibilidade de os jovens interagirem com outros jovens, em grupos, e que muitas vezes são também jovens desafiadores. Certamente, o grupo de vivência, o ambiente social e familiar permeiam valores e exemplos que são transmitidos.


Observa-se comumente que crianças e adolescentes desobedientes, que desafiam a autoridade de pais ou professores e têm dificuldade para aceitar regras e limites, costumam ser encaminhados aos serviços de saúde mental com a queixa de “distúrbios da conduta”, e, muitas vezes, observa-se que há falta de limites ou dificuldade de lidar com frustrações (em lidar com o não). Portanto, há uma linha tênue entre as possibilidades de diagnóstico, faz-se necessário um olhar cauteloso e cuidadoso quanto ao termo distúrbio da conduta, que não é apropriado para representar diagnósticos psiquiátricos.


Quando o comportamento de uma criança ou um adolescente deve nos preocupar?
  

Na verdade, a preocupação deve-se iniciar logo após uma análise acerca das relações sociais e familiares da criança ou do adolescente, observando a repetição do comportamento antissocial. Por exemplo, ficar atento quando as crianças ou os adolescentes mentem ou furtam com frequência, maltratam animais, desrespeitam regras constantemente, maltratam outras crianças e demonstram agressividade excessiva. No entanto, alguns comportamentos isolados fazem parte do desenvolvimento da criança, sendo assim, não se enquadram num transtorno. Cabe à família orientar e superar esses comportamentos indesejados. Nesse contexto, observa-se a importância de dar limites à criança desde muito cedo. As pesquisas evidenciam que a criança com transtorno de conduta também pode apresentar hiperatividade e déficits graves de atenção.


É importante enfatizar que, até os 7 anos, os limites da criança estão se constituindo. Então, não se pode entender que tal comportamento seja um transtorno de conduta, pois a criança ainda está construindo a capacidade de julgamento (consciência do que pode ou não fazer). Por exemplo: quando um menino de 6 anos coloca o gato no micro-ondas, ele não sabe o risco a que está expondo o animal, mas um menino de 8 anos certamente já sabe; evidentemente existem exceções.


Os sintomas do transtorno de conduta surgem, normalmente, no período compreendido entre o início da infância e a puberdade e podem persistir até a idade adulta. Nesse período, é de fundamental importância o papel da família na definição dos limites sobre as regras de convivência, o respeito, a cidadania. O início precoce do comportamento indica maior gravidade do quadro com maior tendência a persistir ao longo da vida.

 

 

*Texto completo disponível em:<http://www.construirnoticias.com.br/ausencia-de-limites-da-crianca-ou-transtorno-de-conduta/ Acesso em  07 de fev. 2018.

** Rosangela Nieto de Albuquerque é Ph.D. em Educação, Pós-Doutoranda em Psicologia Social, doutoranda em Psicologia Social, Mestre em Ciências da Linguagem, professora universitária e autora de três livros: Neuropedagogia e Psicopatologias, Psicoeducação e Neuropsicologia.

 

 

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