Comunicação

Ausência da Arte

Publicado em : 11/05/2018

Ausência da Arte

 

por André Mols* 

 

O engajamento com a arte produzida pelo outro é a maneira mais vibrante de ver e sentir o mundo a partir de sua ótica[1].

 

 

 

Anos atrás, lecionando literatura no Ensino Médio, afirmei em sala de aula que a arte é a representação da realidade a partir da ótica do artista. Hoje, muitos anos depois, continuo entendendo a arte desta maneira, como uma ferramenta que transporta sentimentos e traduz sob múltiplas formas a experiência humana na Terra. Assim como o estudo da Filosofia, da História e dos diferentes sistemas linguísticos, contribui de maneira real para o entendimento, mesmo que pequeno, do homem no mundo.

Recordo-me com emoção da primeira vez que vi ao vivo, bem ali, na minha frente, o quadro “Noite Estrelada”, de Van Gogh, no Museu de Arte Moderna, em Nova Iorque. Depois de recobrar um pouco o fôlego, levantei novamente o olhar e me deparei com “As senhoritas de Avignon”, de Picasso. Pensei que seria melhor ficar por ali, dada a intensidade do momento. Tenho certeza de que você, que está a ler este texto, também já passou por isso. Talvez quando ouviu uma canção que o emocionou no passado, ou que o emociona agora, neste exato momento. Outra recordação marcante é da leitura que fiz, ainda antes de me perceber adolescente, da obra completa de Monteiro Lobato. Falei um pouco disso recentemente em um encontro de Formação de Professores em nossa escola. Foi outra dessas oportunidades mágicas de reencontro com meu próprio eu, constituído às voltas com a arte em suas múltiplas variantes.

Apesar do ceticismo que nos envolve, em um mundo distante do conceito pós-moderno, já ultrapassado; apesar de acharmos, equivocadamente, que as crianças e adolescentes não possuem mais a capacidade de levantar o olhar para além das telas; ainda há muita arte, muita emoção, muita alegria e muita vida nas representações da realidade sob forma artística na produção de cada uma destas crianças, destes adolescentes. É possível que o conflito maior resida na nossa inépcia em perceber ou entender a forma destas representações, mais do que em sua aparente ausência. O fato é que, se não houvesse mais arte ou suas representações, o mundo certamente seria um lugar triste, árido, sem esperança ou futuro.

Penso que este não é o caso.

No contexto escolar a arte apresenta-se também com várias faces, vários olhares e sons. Neste espaço há a possibilidade real do florescimento, desenvolvimento e compartilhamento destas manifestações. A cada dia, aula, recreio, temos a oportunidade desta constatação. Ainda assim, pode ser que não seja como achamos que deveria ser. Naturalmente, não me refiro a manifestações com curta validade, fragmentos pseudo artísticos embalados para consumo e descarte rápido usando uma máscara com nome “arte” escrito em letras de destaque para que todos leiam.

É necessário que elevemos o olhar, que deixemos de lado um pouco a aparente pequena disposição de perceber. Valorizar a arte é valorizar a vida. Robert Browning, poeta e dramaturgo inglês, disse certa vez: “(...) o alcance de um homem deve exceder a sua capacidade, ou para que serve um céu?

Ausência da arte?

Onde está?

Está em nosso esquecimento de sua existência.

 

 

______________________________________________

[1] ROBINSON, K. Creative schools. Penguin, New York. 2015 (adaptado).

 

*André Mols é Coordenador Pedagógico Geral, Coordenador das Áreas de Línguas e Arte na Escola Interamérica - Unidade II e Assessor Pedagógico da Escola Ampliada na Escola Interamérica - Unidade I.


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Em casa eu não poderia ser diferente. Com o apoio de Luciana Maciel buscamos orientar nossas filhas, desde sobre os problemas da dependência tecnológica como também sobre as armadilhas que a internet esconde.

De aniversário de 10 anos (sei que ainda é nova, mas uma das últimas a ter o celular na escola), a Caetana ganhou seu primeiro celular. Não usa o tempo inteiro ainda. Há muitos limites. Regras que foram traçadas num "contrato", o qual ela teve que aderir.

Inspirado, porém completamente reformulado, na versão de Janell Burley Hofman, sintam-se livres para compartilhar esse contrato ou utilizar com seus filhos.


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