Comunicação

A Relação entre Pais e Filhos

Publicado em : 19/10/2018

 

"A Relação entre Pais e Filhos"               

           

 

por Leo Fraiman* 

 

 

 

Muitos pais apelidam (não tão) carinhosamente de “aborrescência” aquela fase da vida em que, eventualmente, o filho chega da escola e se tranca no quarto até a hora do jantar. O período é complicado e poucos pais sabem como lidar com ele, mas uma coisa é certa: adolescentes ainda precisam dos pais.

Segundo o psicoterapeuta e educador Leo Fraiman, autor do livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora? Como construir um projeto de vida juntos” (Editora Integrare), nem tudo que o adolescente faz é por birra ou pura rebeldia. E, antes de culpá-los por um relacionamento distante, os pais também devem notar os próprios erros. Leia entrevista concedida ao IG Delas**.

 


iG: Como os pais de adolescentes costumam agir diante destas dificuldades [da adolescência]?
Leo Fraiman: Criam-se três papéis comuns: os pais negligentes, os permissivos e os autoritários. Essas características podem trazer muitos danos aos jovens. Vejo que eles não querem crescer e acabam desprezando a própria vida: bebem muito, usam drogas, se tornam promíscuos. Eu já ouvi muitos pais dizerem que os filhos não queriam nada com nada, mas isso acontece porque o filho não se sentia amado e cuidado. E então surgiu a ideia do livro, para reafirmar o significado de “família”: pessoas que querem participar umas das vidas das outras e manterem uma cumplicidade entre elas.

 

iG: E hoje, qual você acha que é o papel ideal dos pais na vida do filho adolescente?
Leo Fraiman: O papel do pai é ser participativo , mas este é o maior desafio também. O pai participativo é aquele que equilibra afeto e firmeza. Sabe dar carinho, elogio e afago, mas ao mesmo tempo sabe manter a palavra e não cai na chantagem emocional do filho. E é esse o pai que não negocia uma boa educação e os cuidados com a saúde. É aquele pai que se esforça para jantar junto, que vai buscar o filho em uma balada – mas em um horário adequado –, que abraça o filho, que vê o boletim e discute o que está sendo aprendido.

 

iG: Há características comuns dos adolescentes que acabam sendo vistas como rebeldia?
Leo Fraiman: Assim como na terceira idade é natural uma pessoa caminhar mais lentamente, durante a adolescência , a impulsividade, o mau humor e a vontade de romper limites também são características naturais. Isso acontece de acordo com mudanças neurológicas, e não porque o filho está fazendo algo contra o pai. Os pais costumam achar que é birra, mas é preciso entender a natureza do adolescente e procurar um papel de cúmplice, e não mais de dono da bola.


 

iG: Como lidar com esta natureza do adolescente?
Leo Fraiman: Se o pai entende que a irritabilidade de um adolescente é natural, por exemplo, ele não ficará tentando colocar imposições no meio do furacão. O filho, às vezes, vai ficar emburrado e nem toda discussão vai acabar bem. Mas o pai não pode se esquivar. O limite, nesta hora, seria o pai entender que o filho está em uma fase singular, com as emoções à flor da pele, quando tudo é mais intenso, e ser autoritário ou muito permissivo é uma péssima ideia. Ser um pai participativo é, realmente, um grande desafio. Mas é a maior chance que os pais têm de colher o mérito no futuro, com uma família unida, saudável e madura.



iG: Até que ponto os pais podem ajudar o filho adolescente na formação do próprio futuro, sem decidir por ele, nem deixá-lo sozinho?

Leo Fraiman: Eles podem ajudar dando menos opinião e mais informação. Debatendo mais, escutando mais, dando ao filho uma noção maior da importância de todas as profissões, mostrando as opções que hoje existem no mundo. Mas ficar dando palpite é uma atitude tola: os pais até então provavelmente não conhecem todas as opções do mercado, não sabem quais são as grandes tendências e, muitas vezes, não conhecem os filhos. Ajudar a escolher o futuro baseado em palpite pode ser muito perigoso.

 


iG: Como agem o pai autoritário, o pai permissivo e o pai participativo diante do futuro do filho?
Leo Fraiman: Os pais autoritários usualmente colocam regras, dizem “filho meu não vai fazer isso” e adoram levantar o dedo. Os pais permissivos podem acabar deixando o filho solto e aí, quando vê, ele não quer nada. O pai participativo leva o filho às feiras de educação, vê guias de carreira junto com o adolescente, entra em contato com amigos que trabalham em áreas que o filho se interessa. O pai participativo é um co-piloto e nunca tenta ser o comandante. 

 

Gostou? Quer se aprofundar? Confira a entrevista de Leo Fraiman ao programa Todo Seu no vídeo abaixo:

 

 

 

*Leo Fraiman é psicoterapeuta, mestre em Psicologia Educacional e do Desenvolvimento Humano, escritor, colaborador da Rádio Jovem Pan e palestrante.

** Leia a entrevista completa em < https://delas.ig.com.br/filhos/leo-fraiman-nao-sao-os-adolescentes-que-nao-tem-limites-sao-os-p/n1597621105354.html> Acesso 19 out 2018.


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