Comunicação

A importância da participação da família no processo escolar

Publicado em : 02/02/2018

 

A importância da participação da família no processo escolar

 

adaptado* por Ana Cláudia de Rossi**

 

Só 12% das famílias se empenham na educação dos filhos

Apenas 12% das famílias brasileiras demonstram estar totalmente comprometidas com a educação de seus filhos, revela pesquisa feita pelo Ibope e pelo Instituto Paulo Montenegro. Encomendada pela ONG Todos Pela Educação e outras cinco organizações não governamentais, a pesquisa considerou mais de 2.000 entrevistas com pais, mães e outros responsáveis por estudantes de 4 a 17 anos.

O estudo envolveu famílias de estudantes das redes pública e privada matriculados no ensino básico, que engloba desde a educação infantil até o ensino médio. Além disso, foram entrevistados moradores de áreas urbanas e rurais de todas as regiões do país. O objetivo do levantamento é medir o vínculo dos adultos com os estudantes e o grau de valorização da educação por parte das famílias. A partir das respostas, elas foram divididas em cinco grupos, de acordo com o nível de preocupação com a educação demonstrado. Além do grupo de pais comprometidos (12%), a pesquisa identifica os de envolvidos (25%), vinculados (27%), intermediários (17%) e distantes (19%).

EM QUE GRUPO VOCÊ ESTÁ?

%

Grupos

Características

12%

“Pais

comprometidos”

-se importam com todas as questões que envolvem a vida escolar do filho, desde os aspectos mais básicos, como cobrar frequência nas aulas e conferir o dever de casa, até questões que vão além da escolarização formal.

-incentivam o diálogo em casa e passam mais tempo com seu filho.

-conversam ou trocam bilhetes com os professores sobre o desenvolvimento de seu filho na escola.

25%

“Pais envolvidos”

- valorizam o papel da escola na vida do filho, mas dedicam pouco tempo para atividades culturais ou esportivas na companhia do mesmo.

27%

“Pais vinculados”

- têm alto grau de envolvimento com o filho, mas não valorizam a escola com a mesma ênfase.

17%

“Pais  intermediários”

- não reconhecem sua importância no desenvolvimento do filho como estudante, deixando a tarefa apenas a cargo da escola.

19%

“Pais distantes”

- não se relacionam com a escola e dão pouco espaço para o diálogo com o filho.

 

Cinco Atitudes pela Educação – Campanha Todos pela Educação

1. Valorizar os professores, a aprendizagem e o conhecimento.

  • Demonstre que valoriza e respeita o trabalho dos professores e de toda a equipe escolar.
  • Busque conhecer e dialogar com cada professor que interage com seu filho, para apoiar essa relação, tendo em vista a importância do papel desse profissional no processo educativo.
  • Pergunte aos filhos sobre as aprendizagens que estão conquistando na escola.
  • Na medida do possível, materiais, jogos e equipamentos que estimulem a aprendizagem do seu filho em casa.
  • Leia livros, revistas e jornais com seu filho.

É importante que os pais passem a acompanhar o que o filho aprende. Não há como promover o conhecimento e a aprendizagem sem valorizar o professor, profissional central no processo de ensino.

2. Promover as habilidades importantes para a vida e para a escola.

  • Proponha atividades que exijam concentração, como jogos, contação de histórias, ouvir música e aprender a tocar um instrumento.
  • Converse com seu filho sobre fatos do dia a dia – conte e pergunte, fale e escute.
  • Estimule a amizade de seu filho com outros jovens, mas acompanhe esse relacionamento.
  • Demonstre respeito dentro e fora de casa para com as outras pessoas e incentive seu filho a respeitar a todos, especialmente aos professores.
  • Organize o tempo que seu filho passa na internet ou diante da tevê, alternando essa atividade com outras não menos importantes, como a leitura de um livro, a prática esportiva ou a ida ao cinema, a museus, a teatros e a eventos ao ar livre.
  • Conheça a proposta pedagógica da escola de seu filho para ver se está adequada ao contexto atual, incluindo atividades diversificadas de leitura e de uso da tecnologia, entre outras. Quando tiver dúvidas, não hesite em fazer perguntas!

3. Colocar a educação escolar no dia a dia.

  • Leve ou busque pessoalmente seu filho na escola sempre que possível, estabelecendo relação com o ambiente escolar e mostrando a importância dessa ação para ele.
  • Não deixe seu filho faltar à escola sem motivo e respeite os horários das aulas.
  • Oriente seu filho sobre o uso do uniforme e a organização da mochila, alertando-o sobre os materiais importantes para o acompanhamento das aulas.
  • Mostre-se disponível para dialogar com seu filho sobre a escola.
  • Organize horários de estudo em casa e um local para os estudos. Pode ser em um ambiente coletivo, desde que preparado em algum momento para isso (sem tevê ou aparelhos sonoros).
  • Participe das reuniões de pais sempre que possível, não apenas estando presente, mas buscando saber mais sobre o desempenho e a evolução de seu filho, questionando, tirando dúvidas. Caso os horários não sejam compatíveis com a rotina, tente propor alternativas com outros pais, a direção, os professores e os empregadores.
  • Participe dos eventos escolares (exposições de trabalhos, gincanas, festividades e outros), buscando fomentar ações colaborativas de aproximação entre a escola e a família.

“ Atitudes como checar a lição de casa, levar à escola e ir buscar, ir às reuniões e conversar com os professores são apontadas como fatores importantes para o aprendizado, do mesmo modo que é necessário passar mais tempo junto ao estudante e dialogar com ele sobre o que gosta de estudar e em que deseja trabalhar no futuro”, explica Alejandra Meraz Velasco, coordenadora geral do Todos Pela Educação.

4. Apoiar o projeto de vida e o protagonismo dos(as) estudantes.

  • Acredite no potencial de seu filho, mesmo quando as expectativas aparentarem ser altas demais, pois demonstrar confiança ajuda a motivá-lo.
  • Apresente, desde o início da adolescência, o número mais variado possível de ambientes de trabalho, seu funcionamento, suas exigências e perspectivas, e discuta a relevância de cada trabalho na sociedade, realçando a importância da ética, do empenho, do envolvimento e do sentido naquilo que se faz como profissão, do ponto de vista da realização pessoal, mas também da contribuição social.
  • Contribua para o entendimento de que uma escolha profissional deve ser construída e atualizada ao longo dos anos. Considere que as crianças e os jovens mudam de ideia com frequência, e que isso faz parte do exercício de fantasiar sobre as várias possibilidades de projeto de vida. Esse exercício antecede à tomada de decisão em relação à própria trajetória, e deve ser compreendido e aceito pelos pais.
  • Participe da vida social e política e converse com seu filho sobre a importância dessa participação, não apenas nas eleições, mas nas várias esferas de decisão da nossa sociedade: desde reuniões de condomínio à participação em conselhos (escolar, de saúde, de Educação, tutelar e da infância e adolescência, entre muitos outros).
  • Participe com seu filho de ações de voluntariado em instituições assistenciais ou culturais presentes na cidade, ou até mesmo estimule que seu filho se disponha a ajudar colegas com dificuldades em disciplinas nas quais ele esteja indo bem.

5. Ampliar o repertório cultural e esportivo das crianças e dos jovens.

  • Incentive seu filho a participar das atividades culturais e esportivas da escola e da comunidade.
  • Leve, sempre que possível, seu filho ao teatro, museus, exposições.
  • Organize a rotina escolar de seu filho incluindo nela atividades culturais e esportivas (horário para estudar, para a leitura, para as atividades esportivas e culturais).
  • Realize atividades de leitura com seu filho com regularidade. Peça que seu filho leia para você. Converse com ele sobre os livros que ele lê.
  • Demonstre interesse pelas atividades culturais e esportivas realizadas na escola e na comunidade.

A cultura se estabelece na relação entre as pessoas em diferentes contextos sociais e históricos. Conhecer a cultura do país, da cidade, do seu grupo social aproxima o jovem tanto dos problemas e desafios da sociedade em que vive quanto das conquistas conseguidas através das ações coletivas, subsidiando para que ele possa atuar de forma consciente e crítica em sua comunidade.

 


.

*Texto adaptado a partir dos textos: Só 12% das famílias se empenham na educação dos filhos (em <https://veja.abril.com.br/educacao/so-12-das-familias-se-empenham-na-educacao-dos-filhos/> Acesso em 2 de fev. 2018) e Cinco Atitudes pela Educação (em <http://www.5atitudes.org.br/> Acesso em 2 de fev. 2018).

**Ana Cláudia de Rossi é diretora da escola Interamérica, especialista em Administração e Supervisão Escolar, Psicopedagoga e atua na Educação há mais de 30 anos.


 


Ser estudante: a construção de um hábito

Ser estudante: a construção de um hábito

 16/02/2018

Um exemplo claro da dificuldade de mudarmos um hábito e construirmos uma nova rotina são as atitudes que tomamos para “sabotarmos” este momento: o corpo parece mais pesado do que nunca, os imprevistos acontecem a todo instante, a preguiça, o cansaço, a falta de tempo...


Parceria família-escola

Parceria família-escola

 09/02/2018

O principal desafio é passar da lei do desejo para a lei do consenso ("nem sempre posso fazer o que quero na hora em que eu tenho vontade ou do jeito que eu quiser").


Ausência de limites na criança ou transtorno de conduta

Ausência de limites na criança ou transtorno de conduta

 09/02/2018

A discussão acerca dos limites da criança está cada vez mais em evidência, pois surgem as novas estruturas familiares e, com elas, os novos padrões estabelecidos na Educação. Pais sem tempo para os filhos muitas vezes pensam em compensar sua ausência com recompensas, até para suavizar sua “culpa”. A dificuldade de dizer não é muito significativa nas famílias contemporâneas, assim a permissividade torna-se cada vez mais frequente, comprometendo a educação das crianças e promovendo um comportamento pouco aceitável na convivência social. Certamente, esse comportamento poderá comprometer o desenvolvimento da criança no processo de aprendizagem, uma vez que a escola impõe limites mais adequados para a socialização do grupo. Conhecer regras e normas sociais é fundamental na construção da identidade e autonomia da criança, e a ausência desse paradigma poderá levar a uma difícil relação de convívio social.


Como fazer do seu filho um bom estudante

Como fazer do seu filho um bom estudante

 02/02/2018

Todo início de ano muitas dúvidas povoam a cabeça das famílias geralmente causando desconforto e angústia. Entre tantas, uma delas é como ajudar o(a) filho(a) a ter uma postura de estudante desejável e ser bem-sucedido em sua profissão,


Do que estamos enchendo nossas mochilas?

Do que estamos enchendo nossas mochilas?

 26/01/2018

Estamos voltando a todo vapor para mais um ano letivo! Nosso retorno às aulas é sempre carregado de empolgação: novas turmas, novos amigos, novos professores, nova rotina e…


A importância de ficar à toa

A importância de ficar à toa

 01/12/2017

O neurocientista Andrew Smart mostra, por meio de pesquisas com o cérebro, que, além de ajudar na criatividade, o ócio faz bem para a saúde e é fundamental para o autoconhecimento


Dez dicas para lidar com mudanças de comportamento dos adolescentes

Dez dicas para lidar com mudanças de comportamento dos adolescentes

 24/11/2017

Leo Fraiman explica que a puberdade traz muitas novidades: Os pais devem se informar para ajudar os filhos com fatos e não com opiniões


Às vezes é necessário “apertar o reset”!

Às vezes é necessário “apertar o reset”!

 17/11/2017

Recentemente estava numa palestra sobre Desenvolvimento de Competências Emocionais e a palestrante abordou sobre como os pais estão precisando de ajuda e cuidado. Mas sem culpas ou julgamentos, apenas olhar atento e zelo. Em um dado momento afirmou que é necessário que os pais entrem em conexão com o seu filho real. E é aqui que vou me deter.


A escola na atualidade: o que queremos?

A escola na atualidade: o que queremos?

 10/11/2017

Pensar a sociedade atual não é tarefa fácil e simples. Ao contrário: a vida na atualidade é tão complexa, tão confusa, que, muitas vezes, nos sentimos “perdidos” em nossos propósitos, princípios e valores.


Matemática: em contexto de aprendizagem

Matemática: em contexto de aprendizagem

 03/11/2017

Falar da aprendizagem e do ensino da Matemática é sempre tema para uma boa reflexão. Desde 1950 a Unesco organiza congressos sobre o assunto, a fim de qualificar a didática desta disciplina em sala de aula, e mais recentemente a preocupação se ampliou para os conceitos educacionais voltados para o século XXI.

Como pensamos a Matemática em nossa escola?