Comunicação

"O papel da escola no desenvolvimento socioemocional do indivíduo" e "A grande engrenagem"

Publicado em : 15/06/2018

 

 

O papel da escola no desenvolvimento socioemocional do indivíduo

por Thais de Lucena* 

Recentemente, em uma reunião na escola, fizemos a leitura compartilhada de um texto da colunista Martha Medeiros em que ela relata ter sido indagada por uma jovem se a vida melhora da metade para o final. Então com 40 anos, Martha se viu diante da expectativa do que estava por vir, naquela que chamou de “parte 2 da vida”. Anos depois dessa pergunta, vivendo o momento em que escrevia o texto, a colunista refletiu sobre os ganhos reais que a maturidade traz: a perda da ilusão da eternidade, da insegurança, a diminuição da ansiedade e da teatralidade, tão característicos da juventude. Entretanto, reforçou ela, para isso é preciso ter cabeça boa, conhecimento e uma forte base moral e ética. E isso se adquire na primeira metade da vida – ou padecerá na última.

Enquanto debatíamos sobre as impressões e sentimentos despertados pela leitura, uma certeza se desenhava mais forte: a escola pode, e deve, contribuir com a formação moral e ética de seus indivíduos. Enquanto instituição, é papel da escola socializar o conhecimento, porém, enquanto uma representação da sociedade, é seu dever acolher e atuar com clareza nas questões de vida que se apresentam em seu espaço, levando a ética ao centro da reflexão e da prática diária.

Consciente de seu papel, a Interamérica está sempre atenta à qualidade do relacionamento de sua comunidade, já que as relações sociais são os melhores mestres quando se trata de desenvolvimento moral. Dentro dos muros da escola, a cooperação e o diálogo reforçam o respeito mútuo e tornam compreensíveis e visíveis os princípios e valores que apregoa em seu projeto político-pedagógico.

Atuando na primeira metade da vida de nossos(as) estudantes, nossa equipe busca posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas, com a participação efetiva de todos, seja por meio de assembleias de classe, em rodas reflexivas ou, quando necessário, em conversas pontuais e individuais.

O tema moralidade precisa ser abordado de forma intrínseca em todo o processo de escolarização e aqui está presente, respeitando-se as habilidades de cada faixa etária, desde as salas coloridas até o 9º Ano. Desenvolvendo suas atividades em grupo, a cooperação e a colaboração são exercidas como importantes componentes na formação moral, e os estudantes têm a possibilidade de aprender pela experiência o que é obediência à regra, respeito ao grupo social e responsabilidade individual.

No contexto da sociedade atual, é imprescindível que o trabalho de desenvolvimento sociomoral na instituição escolar em geral – deturpado e perdido com o tempo – ganhe novos direcionamentos, permeados pela possibilidade de desenvolver no ser humano a capacidade de se relacionar e promover no outro um crescimento nesse aspecto.

A Interamérica, atuando com o Projeto Conviver comigo e com o Mundo, promove o desenvolvimento socioemocional, construído na soma de esforços com as famílias, despertando em nossos(as) estudantes a autopercepção como seres integrantes, dependentes e agentes transformadores do ambiente, contribuindo ativamente para um mundo melhor.

           

             A grande engrenagem                          

 

 

por Lucia Oliveira** 

 

A escola tem um papel muito importante na formação do indivíduo. O pensar, o desenvolver, o aprender vão sendo construídos em vários ambientes, dentre eles, o educativo. Comunicar-se com o outro, desafiar-se, encantar-se e falhar são só alguns dos desafios que fazem parte do processo de amadurecimento cognitivo e pessoal. Entre brincadeiras, atividades, avaliações, tarefas e frustrações os aprendentes vão se percebendo enquanto seres humanos e sua inevitável complexidade.

Há nesse processo muito racionalismo com toda certeza, mas também muitas emoções, sensações, sentimentos e as habilidades tão discutidas hoje chamadas de socioemocionais. Claramente, não se pode mais restringir a dinâmica da escola ao desenvolvimento das competências acadêmicas, é consenso a necessidade de englobar também outras questões tais como protagonismo do estudante, inovação curricular, inteligência emocional, autonomia, empatia, resiliência, dentre inúmeras outras habilidades que preparam para a vida.

Como mudar ou não já não é mais um ponto de discussão, a reflexão se detém no como fazer. Como se trabalhar além dos conteúdos acadêmicos as habilidades socioemocionais dos estudantes? Tarefa esta que exige engajamento de toda a comunidade escolar para que não sejam atividades isoladas ao longo do ano letivo, para que estejam de fato integradas na grade curricular e no dia a dia da escola e, acima de tudo, para que faça sentido e diferença na vida do aprendiz.

Um dos pontos relevantes nesse cenário é propiciar ao estudante a possibilidade de desenvolver o autoconhecimento, motivando-o a assumir maior controle sobre sua vida, suas ações e decisões. Quando esses tópicos fazem parte do projeto pedagógico da escola, o aprendiz aprende a nomear e reconhecer mais facilmente os seus sentimentos, perceber o que lhe motiva ou desmotiva, o que o enraivece ou entristece e busca mais facilmente por referências saudáveis para conversar em momentos difíceis.

Essa referência positiva pode ser de um professor querido, outro colaborador, o psicólogo escolar, orientador educacional, coordenador. Podendo também evidentemente, ser alguém da família como o pai, a mãe, irmão ou algum parente. O mais importante é que os filhos/estudantes se sintam acolhidos em suas inseguranças, dores, dúvidas e inquietudes. E, se necessário, poderem receber o devido encaminhamento. Este acolhimento pode e deve vir também do olhar atento que todas relações merecem, se antecipando caso alguma mudança significativa seja percebida no estudante.


Todas essas ações colaboram muito para escolhas mais conscientes. Dessa forma, objetiva-se um constante e consistente desenvolvimento emocional almejando escolhas diferentes da triste realidade encontrada hoje das automutilações, ideações suicidas, consumo de álcool e drogas.

É relevante ressaltar também que as habilidades socioemocionais são como as demais habilidades, logo precisam ser trabalhadas e aprimoradas. Portanto, é mais uma vez na parceria entre escola e família que os objetivos são alcançados e, nesse caso, proporcionando oportunidades para que essas habilidades tenham terreno fértil para serem bem desenvolvidas. Ações consideradas “simples” como apresentar um trabalho para a turma, participar de um festival de música e/ou arte, mostrar aos outros seus talentos, trocar aprendizados numa feira cultural, são exemplos de atividades cada vez mais incentivadas para o desenvolvimento das habilidades socioemocionais na escola. Contudo, o envolvimento e a valorização dos responsáveis são de extrema importância, participando, incentivando e validando todos os esforços, iniciativas e dedicação dos seus filhos.

Ademais, o aprendiz tem nesses momentos a oportunidade de trabalhar autocontrole, autoconfiança, autoestima, cooperação, responsabilidade, gerenciamento de conflitos, organização e enfrentamento dos medos. Essas são só algumas dentre uma vasta lista de atitudes que favorecem relações mais empáticas e saudáveis. Por isso exige engajamento de toda a equipe escolar, pais, familiares para que estejam todos envolvidos e colaborando.

Assim sendo, esse olhar empático, terá um maior alcance, facilitando a percepção do outro e não mais se restringindo apenas às próprias opiniões ou desejos. A valorização humana começa quando as pessoas passam a se colocar mais no lugar do outro respeitando-o em suas especificidades e compreendendo que fazem parte uma “grande engrenagem”. Fazê-la “rodar” envolve tolerância, respeito, equilíbrio, força de vontade, conhecimento e compromisso.

Que tal começar por você a mudança que espera no mundo?


“ O valor do ser humano reside na capacidade de ir além dele próprio, de sair de dentro de si mesmo, de existir dentro de si próprio e para as outras pessoas.”

Milan Kundera
 

Em nossa escola, cientes da importância do atendimento e acompanhamento das demandas socioemocionais e atitudinais de nossos estudantes, dispomos da equipe de Orientação Educacional, que conta com 03 orientadores na Unidade 1 e 04 na Unidade 2.

 

*Thais de Lucena é Orientadora Educacional de 1º a 5º Anos.

**Lúcia Oliveira é psicopedagoga, analista comportamental e orientadora educacional do 9º ano da Escola Interamérica


Adultos autênticos. Jovens seguros.

Adultos autênticos. Jovens seguros.

 09/11/2018

Os jovens, em processo de formação, buscam encontrar modelos nos adultos com quem convivem e, quase sempre inconscientemente, testam-nos para saber se podem confiar neles, se eles lhes trazem a segurança necessária para a sua formação. Se não encontram nesses, vão, invariavelmente, buscar essa segurança noutras opções, noutras possibilidades nem sempre recomendáveis, como temos visto frequentemente no dia a dia e pela imprensa.

Entretanto, cabe perguntar qual é aquele “modelo” de adulto que satisfaz a procura do jovem.


Lidando com um adolescente através da Comunicação Não Violenta (CNV)

Lidando com um adolescente através da Comunicação Não Violenta (CNV)

 26/10/2018

O adolescente, diferente da criança, pode não demonstrar facilmente aquilo que sente, nem falar de seus conflitos, tristezas e frustrações. E esse comportamento torna desafiador para a família compreender as emoções do jovem e lidar com elas, em especial quando não existe ou há pouco diálogo familiar.

Dentre inúmeras ferramentas ou meios de lidar com as emoções dos adolescentes, trouxemos aqui, para contribuir com a harmonia familiar, a COMUNICAÇÂO NÃO VIOLENTA (CNV), uma abordagem proposta pelo psicólogo americano Marshall B Rosenberg.


A Relação entre Pais e Filhos

A Relação entre Pais e Filhos

 19/10/2018

Segundo o psicoterapeuta e educador Leo Fraiman, autor do livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora? Como construir um projeto de vida juntos” (Editora Integrare), nem tudo que o adolescente faz é por birra ou pura rebeldia. E, antes de culpá-los por um relacionamento distante, os pais também devem notar os próprios erros.


Filhos não são presentes

Filhos não são presentes

 05/10/2018

Filhos não são presentes. São surpresas que a vida nos proporciona. Um presente, quando não gostamos, ou quando não nos serve, resolvemos de forma simples: trocamos, passamos pra frente, ou guardamos com a intenção de não magoar quem nos presenteou e juramos pra nós mesmos que, algum dia, usaremos. Já nossos filhos! Ah que bela e não tão fácil surpresa. Um filho pode nunca vir a ser o que tanto sonhamos. Não podemos simplesmente trocá-los ou fingirmos que não existem. Ainda bem! Eles não podem carregar todas as nossas expectativas, pois elas são só nossas.


O que pretende a educação em valores?

O que pretende a educação em valores?

 28/09/2018

O principal objetivo da educação em valores é ajudar os alunos a aprender a viver. Essa é a primeira tarefa dos seres humanos, porque, apesar de estarmos preparados para viver, precisamos adotar um modo de vida que seja sustentável


O que te faz sentir (bem)?

O que te faz sentir (bem)?

 28/09/2018

A felicidade é uma questão relativa. Algumas pessoas vão dizer que estão nas coisas simples da vida; outras em conquistar seus objetivos, seus sonhos; outras pessoas vão dizer que ela está nas boas relações. Mas, mesmo sendo tão relativa, a felicidade é o objetivo de todos e é colocada, na maioria das vezes, em um local inalcançável, em um futuro distante ou ao final de uma jornada bem específica que só alcançamos depois de matar alguns monstros e desenvolver certas habilidades.


A ausência nas relações

A ausência nas relações

 24/09/2018

Atualmente, fala-se muito em fragilidade emocional, os desafios de educar na era digital, a desconexão entre os indivíduos e a superficialidade das relações. Tudo isso não é novidade, mas o que de fato poderia ser feito para mudar esse cenário?

A vulnerabilidade das relações é perceptível, inclusive numa das relações mais estruturantes que é entre pais e filhos. Sempre houve uma diferença conflituosa entre as gerações, diferença esta, salutar, uma vez que promovia discussões, desentendimentos, conversas, questionamentos, mas, com certeza, também muito aprendizado. Mais forte que isso é pensar que as discussões não aconteciam pelo Whatsapp ou pelas redes sociais, as pessoas não eram simplesmente bloqueadas como se assim os conflitos fossem resolvidos. Havia olho no olho, havia presença física.


O desafio de transmitir bons valores

O desafio de transmitir bons valores

 14/09/2018

As últimas décadas assistiram a enormes mudanças na família, especialmente no que se refere à educação dos filhos. Há pouco tempo, ser bom pai significava ensinar a respeitar os mais velhos, dar estudo, segurança etc.


Empatia a 7 bilhões de outros

Empatia a 7 bilhões de outros

 14/09/2018

Em vários atendimentos que faço aos estudantes, percebo que os conflitos trazidos poderiam ser resolvidos facilmente com um pouquinho de empatia ao próximo. Entendo que o nível de autonomia de um adolescente é diferente de um adulto. Porém a impressão que tenho é que lhes faltam o exercício do desenvolvimento da empatia.

O bacana para tal exercício é que independe de minha classe econômica, grau de inteligência, título que tenho, status social, cor, religião ou gênero; de que me adianta falar mais de uma língua, se não consigo dar bom-dia em um elevador? De que me adianta ser o melhor instrumentista se não consigo tocar a pessoa que está do meu lado precisando de ajuda? De que me adianta ter o título mais desejado na melhor universidade do mundo se não consigo ensinar o básico aos que estão a minha volta?


Estudar, pesquisar e comunicar: três competências fundamentais no cotidiano escolar

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 03/09/2018

E é por compreender e valorizar uma educação com significância e significado, que o ensinar e aprender, aqui na nossa escola, é princípio base de nossas ações.