Comunicação

A escola na atualidade: o que queremos?

Publicado em : 10/11/2017

 

A escola na atualidade: o que queremos?

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Eloá Parada*

São fortes as emoções que experimentamos ao viver na atualidade. Certamente, o medo é uma delas. Não há como negar a ansiedade (sentimento oriundo do medo) que experimentamos ao pensar no futuro de nossos filhos e nas incertezas que ele nos traz, diante de uma sociedade tão divergente como a nossa.

Pensar a sociedade atual não é tarefa fácil e simples. Ao contrário: a vida na atualidade é tão complexa, tão confusa, que, muitas vezes, nos sentimos “perdidos” em nossos propósitos, princípios e valores.

Bauman (2001) define a sociedade contemporânea como “Modernidade líquida”, caracterizada por uma falta de atenção ao processo, pela liquidez de ideias, de concepções, valores e relações. Trata-se da individualização do mundo, em que o sujeito agora se encontra “livre”, em certos pontos, para ser o que conseguir ser mediante suas próprias forças. A liquidez a que o autor se refere é justamente essa inconstância e incerteza que a falta de pontos de referência socialmente estabelecidos e generalizadores gera.

A vida se torna instantânea e parece uma viagem infinita com múltiplas possibilidades a serem realizadas numa fração de tempo quase que imediata. Costuma-se dizer que o dia deveria ter mais que 24 horas para fazer tudo que seria “necessário”. Atualmente as pessoas já ecoam que será preciso mais de uma vida para realizar e obter o que desejam. O amanhã é tão efêmero e irreal, que é utilizado inclusive para passar credibilidade e esperança para as pessoas, numa realização que talvez nunca se concretize.

Educar, nessa sociedade, não é tarefa fácil, ainda mais quando nos propomos a educar para a vida, para a instabilidade e insegurança de um mundo de incertezas, no qual mais de 50% das profissões atuais nem sequer existiam 30 anos atrás e outras deixarão de existir nos próximos 30 anos.

Nesse sentido, para nós da Escola Interamérica, pensar o amanhã é pensar o hoje, é construir no presente o amanhã desejado. E é, no presente, e na presença de nossos educandos que construímos o futuro, pois estamos seguros da relevância da contribuição social que uma escola de qualidade pode oferecer.

Mais do que a transmissão dos conteúdos historicamente acumulados, temos como propósito a formação do ser humano integral, holístico, seguro de suas escolhas e consciente de seu papel social.

Para tal, faz-se necessário que as experiências educacionais, vividas cotidianamente por nossos estudantes, sejam compatíveis com nosso propósito e ideal. Por isso, em nossa escola, valorizamos o humano, as relações, o diálogo, a reflexão, autorreflexão e a construção coletiva do conhecimento.

É comum visualizarmos, em nossa instituição, os educandos discutindo ideias, elaborando seus trabalhos em grupo, resolvendo conflitos em assembleias, organizando brincadeiras e circulando democraticamente pela escola, pois é assim, no fazer diário, que permitimos aos nossos alunos saber lidar com a quantidade de informações, com suas emoções, valores, desejos e atitudes.

* Orientadora Pedagógica da Escola Interamérica, unidade 1.

A Feira Cultural deste ano é representativa deste processo formativo, de nossas ações diárias na busca por uma educação significativa, recheada de trocas, diálogos, culturas e conhecimentos.

Com muito trabalho, organização, empenho e reflexão, diferentes projetos foram idealizados e elaborados pelas diversas turmas. Todos tiveram como norte a Aprendizagem Baseada em Projetos, metodologia utilizada desde sempre pela nossa escola, que aposta na construção de conhecimento por meio de um trabalho longo de investigação que responda a uma pergunta complexa, problema ou desafio. A partir dessa questão inicial, os alunos se envolveram em um processo de pesquisa, elaboração de hipóteses, busca por recursos e aplicação prática da informação até chegar a uma solução ou produto final, que estão expostos na Feira Cultural da Interamérica.

A aprendizagem baseada em projetos torna o aprender e o fazer inseparáveis. Aprender desta forma tem a ver diretamente com a exploração do contexto, a comunicação entre pares e a criação a partir do conhecimento. E é especialmente na etapa final, a produção de resultados, que a tecnologia enriquece o processo: alunos puderam organizar suas descobertas em vários formatos.

Nossos estudantes trabalharam a inter e a transdisciplinaridade, envolvendo competências e temáticas pertencentes às diversas matérias escolares. As habilidades para o século 21 foram desenvolvidas ao longo de toda a jornada – especialmente a autonomia, a curiosidade, a resolução de problemas e as relações interpessoais.

Este é o jeito INTERAMÉRICA de SER e fazer: uma escola pensada, planejada, acompanhada e concretizada por EDUCADORES, que desafiam o tempo e a rotina acelerada, a fluidez de ideias que vêm e vão, as interferências de uma sociedade em constante mutação - não abrindo mão do estudo, da pesquisa e da emoção. Uma escola vivida por EDUCADORES movidos a cuidar de detalhes fundamentais para que o processo de aprendizagem seja de grande significado!

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Datas da Feira Cultural Interamérica:

- 11/11 – Unidade 1 – Projetos da Educação Infantil e Fundamental I, além da Feira do Empreendedor (9º Ano)

- 25/11 – Unidade 2 - Projetos do Fundamental II

Prestigie... Participe... Investigue... Aprenda...


A adolescência está mais complexa

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 19/05/2018

Há até pouco tempo, sabíamos com clareza conceituar a adolescência: um período de transformações pessoais, sociais, emocionais, psicológicas e, principalmente, de concepção a respeito de si mesmo e da vida, que resultava em mudanças de comportamento. A puberdade –as alterações físicas dessa etapa– antecedia a adolescência e a precipitava.

E agora? Primeiramente, essa etapa da vida foi prolongada: não termina mais perto dos 20 anos, com a entrada na maturidade adulta. Hoje, podemos considerar a adolescência até mais ou menos os 25 anos, e olhe lá! Seu início também foi antecipado: não depende mais da puberdade, pois pode se iniciar bem antes.


Educação para a Paz

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 18/05/2018

Respeitar a vida, rejeitar a violência, ser generoso, ouvir para compreender, preservar o planeta, redescobrir a solidariedade


Mãe

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Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também. E um polvo. Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho.


Ausência da Arte

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 11/05/2018

Anos atrás, lecionando literatura no Ensino Médio, afirmei em sala de aula que a arte é a representação da realidade a partir da ótica do artista. Hoje, muitos anos depois, continuo entendendo a arte desta maneira, como uma ferramenta que transporta sentimentos e traduz sob múltiplas formas a experiência humana na Terra. Assim como o estudo da Filosofia, da História e dos diferentes sistemas linguísticos, contribui de maneira real para o entendimento, mesmo que pequeno, do homem no mundo.


Autoestima: como construir o valor pessoal de um filho

Autoestima: como construir o valor pessoal de um filho

 27/04/2018

Embora os pais estejam cada vez mais conscientes do valor de uma boa autoestima para uma vida adulta bem-sucedida e feliz, e de estarem cada vez mais informados quanto à importância do seu próprio papel no processo de desenvolvimento dos seus filhos, os adolescentes de hoje em dia parecem cada vez mais frágeis e inseguros.


A angústia do adolescente: Um problema nosso ou de todos nós?

A angústia do adolescente: Um problema nosso ou de todos nós?

 27/04/2018

Nas últimas semanas, fomos surpreendidos pelas tristes notícias referentes a casos de suicídio entre adolescentes em São Paulo. Por compartilharmos de uma mesma dor e mediante a toda repercussão nas mídias sociais, uma questão sempre emerge nos fazendo pensar: “O que tanto angustia os adolescentes hoje?” Não é uma resposta simples diante da velocidade das mudanças que vivemos em nossa sociedade, porém, isso não nos exime de fazer esse questionamento e refletir sobre possíveis respostas. Essa preocupação perpassa a todos aqueles que de uma forma ou de outra se relacionam e participam da formação desses jovens: família, amigos, escola, etc.


“Gentileza gera gentileza”

“Gentileza gera gentileza”

 20/04/2018

O medo do desamor e de errarmos, como pais, têm nos deixados paralisados, inseguros e sem saber o que fazer.


O que gritos e castigos dos pais e professores podem fazer com o cérebro das crianças

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 20/04/2018

Isabela Minatel explica como os cérebros das crianças reagem à gritos, brigas e castigos e como praticar uma educação que libere os neurotransmissores da felicidade.


Contrato para uso do celular

Contrato para uso do celular

 14/04/2018

Há muito venho falando sobre a importância da educação digital para adolescentes e crianças. Que inclusão digital não se restringe à entrega dos equipamentos informáticos. Uma verdadeira inclusão digital passa necessariamente pela educação do incluído, mostrando as vantagens e também os riscos da tecnologia, para que não seja surpreendido, e principalmente, ensinando como tudo isso funciona. Especialmente para esses jovens que já nasceram com a internet e que não conseguem imaginar tudo que está por trás desse "admirável mundo novo".

Em casa eu não poderia ser diferente. Com o apoio de Luciana Maciel buscamos orientar nossas filhas, desde sobre os problemas da dependência tecnológica como também sobre as armadilhas que a internet esconde.

De aniversário de 10 anos (sei que ainda é nova, mas uma das últimas a ter o celular na escola), a Caetana ganhou seu primeiro celular. Não usa o tempo inteiro ainda. Há muitos limites. Regras que foram traçadas num "contrato", o qual ela teve que aderir.

Inspirado, porém completamente reformulado, na versão de Janell Burley Hofman, sintam-se livres para compartilhar esse contrato ou utilizar com seus filhos.


Os desacomodadores

Os desacomodadores

 06/04/2018

As crianças e sua capacidade de nos fazer reparar no cotidiano cinza com muito mais cor, delicadeza e poesia