Comunicação

A adolescência está mais complexa

Publicado em : 19/05/2018

 

A adolescência está mais complexa*                             

 

por Rosely Sayão** 

 

Estou sempre em contato com pais, avós e educadores formais e recebo deles, pessoalmente ou pela internet, muitas questões, dúvidas e angústias que eles vivem em relação aos filhos, netos e alunos. Nos últimos dias, o tema que predominou foram os adolescentes. Vamos, então, refletir sobre essa fase do desenvolvimento.

Há até pouco tempo, sabíamos com clareza conceituar a adolescência: um período de transformações pessoais, sociais, emocionais, psicológicas e, principalmente, de concepção a respeito de si mesmo e da vida, que resultava em mudanças de comportamento. A puberdade –as alterações físicas dessa etapa– antecedia a adolescência e a precipitava.

E agora? Primeiramente, essa etapa da vida foi prolongada: não termina mais perto dos 20 anos, com a entrada na maturidade adulta. Hoje, podemos considerar a adolescência até mais ou menos os 25 anos, e olhe lá! Seu início também foi antecipado: não depende mais da puberdade, pois pode se iniciar bem antes.

Outra questão importante foi a mudança na busca da privacidade do adolescente. Quem não se lembra dos melhores amigos dessa época da vida, ou dos diários, escritos –e escondidos– com dedicação? Pois esses foram recursos que os adolescentes já usaram para construir sua privacidade em relação à família.

Hoje, a situação ficou complexa: com a internet, os diários –com fotos e tudo o mais– passaram a ser expostos publicamente, não mais compartilhados apenas com a(o) melhor amiga(o) ou escondidos. E os pais? Ah! Eles fazem de tudo para que os filhos contem a eles todos os detalhes da sua vida.

Essas mudanças significam mais trabalho para os pais e mais dificuldades para os adolescentes. Hoje, os pais querem controlar os filhos, querem desejar por eles, querem dar a eles felicidade, etc. Dureza, porque tudo isso resulta em imaturidade, fragilidade, baixa resiliência.

Os adolescentes precisam de tutela mais discreta, que não se transforme em abandono; de espaço de experimentação para descobrir como querem e como podem ser, sem que sejam julgados ou penalizados por isso. E o melhor espaço que eles teriam para tanto seria a escola. Como ela não tem permitido isso aos seus alunos adolescentes –qualquer coisa que eles façam, a escola corre para contar aos pais–, é claro que eles procuram outros espaços para isso, como o virtual, as festas e baladas etc., o que é muito mais perigoso, porque lá eles não têm nem tutela, nem apoio.

Os adolescentes precisam muito de nossa companhia, de nosso apoio crítico, de nossa compreensão, de nossa amorosidade adulta, de nosso desapego em relação a eles, de nosso acolhimento.

Eles querem conflitar com os pais e professores? Vamos bancar esses conflitos com seriedade e argumentação, sem espanto. Poucos adolescentes defendem a pena de morte, por exemplo, por convicção. É, na maioria das vezes, por oposição. Nem por isso devemos tratar as questões que eles trazem como bobagens.

Eles ultrapassam todos os limites possíveis? Vamos repactuar a relação com eles, verificar como demos oportunidade para que tenham feito o que fizeram. Sempre há essa possibilidade! Mas vamos, principalmente, entender essa crise como um pedido de socorro, que eles têm tanta dificuldade em simbolizar.

Essa é a companhia que eles precisam, e que podemos oferecer!

 

 

 

 

 

* Fonte: texto disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/2016/06/1781347-a-adolescencia-esta-mais-complexa.shtml?loggedpaywall> Acesso em 19 mai 2018.

**Rosely Sayão psicóloga e consultora educacional, tem mais de 30 anos de experiência em clínica, supervisão e docência; presta consultoria em empresas e escolas, dissertando sobre cidadania e sobre educação de crianças e de adolescentes.


"O papel da escola no desenvolvimento socioemocional do indivíduo" e "A grande engrenagem"

 15/06/2018

Essa semana, a Escola Interamérica compartilha dois interessantes textos, escritos por duas de nossas Orientadoras Educacionais, sobre a escola e o desenvolvimento socioemocional de crianças e adolescentes.


Cortella: ‘A escola passou a ser vista como um espaço de salvação’

Cortella: ‘A escola passou a ser vista como um espaço de salvação’

 08/06/2018

O filósofo, educador e professor Mario Sergio Cortella alerta que as famílias estão confundindo escolarização com educação; para ele, pais devem retomar seu papel


A importância da parceria família e escola

A importância da parceria família e escola

 25/05/2018

A família e a escola formam uma equipe. É fundamental que ambas sigam os mesmos princípios e critérios, bem como a mesma direção em relação aos objetivos que desejam atingir. Ressalta-se que, mesmo tendo objetivos em comum, cada uma deve fazer sua parte para que se atinja o caminho do sucesso, que visa conduzir crianças e jovens a um futuro melhor.


Educação para a Paz

Educação para a Paz

 18/05/2018

Respeitar a vida, rejeitar a violência, ser generoso, ouvir para compreender, preservar o planeta, redescobrir a solidariedade


Mãe

Mãe

 11/05/2018

Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também. E um polvo. Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho.


Ausência da Arte

Ausência da Arte

 11/05/2018

Anos atrás, lecionando literatura no Ensino Médio, afirmei em sala de aula que a arte é a representação da realidade a partir da ótica do artista. Hoje, muitos anos depois, continuo entendendo a arte desta maneira, como uma ferramenta que transporta sentimentos e traduz sob múltiplas formas a experiência humana na Terra. Assim como o estudo da Filosofia, da História e dos diferentes sistemas linguísticos, contribui de maneira real para o entendimento, mesmo que pequeno, do homem no mundo.


Autoestima: como construir o valor pessoal de um filho

Autoestima: como construir o valor pessoal de um filho

 27/04/2018

Embora os pais estejam cada vez mais conscientes do valor de uma boa autoestima para uma vida adulta bem-sucedida e feliz, e de estarem cada vez mais informados quanto à importância do seu próprio papel no processo de desenvolvimento dos seus filhos, os adolescentes de hoje em dia parecem cada vez mais frágeis e inseguros.


A angústia do adolescente: Um problema nosso ou de todos nós?

A angústia do adolescente: Um problema nosso ou de todos nós?

 27/04/2018

Nas últimas semanas, fomos surpreendidos pelas tristes notícias referentes a casos de suicídio entre adolescentes em São Paulo. Por compartilharmos de uma mesma dor e mediante a toda repercussão nas mídias sociais, uma questão sempre emerge nos fazendo pensar: “O que tanto angustia os adolescentes hoje?” Não é uma resposta simples diante da velocidade das mudanças que vivemos em nossa sociedade, porém, isso não nos exime de fazer esse questionamento e refletir sobre possíveis respostas. Essa preocupação perpassa a todos aqueles que de uma forma ou de outra se relacionam e participam da formação desses jovens: família, amigos, escola, etc.


“Gentileza gera gentileza”

“Gentileza gera gentileza”

 20/04/2018

O medo do desamor e de errarmos, como pais, têm nos deixados paralisados, inseguros e sem saber o que fazer.


O que gritos e castigos dos pais e professores podem fazer com o cérebro das crianças

O que gritos e castigos dos pais e professores podem fazer com o cérebro das crianças

 20/04/2018

Isabela Minatel explica como os cérebros das crianças reagem à gritos, brigas e castigos e como praticar uma educação que libere os neurotransmissores da felicidade.